Infecção urinária no idoso

 

A infecção urinária ocorre em todas as idades, desde crianças até idosos – passando por adolescentes, adultos e grávidas. Um em cada cinco idosos tem infecção urinária alta, ou seja, nos rins, e esse número dobra após os 80 anos.  Impedir que a contaminação atinja os rins é crucial para evitar um problema de saúde mais grave.

Fatores de risco

O maior risco de infecção urinária é a partir dos 65 anos: 10% dos homens e 20% das mulheres apresentam o problema. A imunidade mais baixa, doenças crônicas e outros problemas que aparecem com a idade, como diabetes, demência, aumento da próstata e atrofia vaginal, podem favorecer contaminações por bactérias, que muitas vezes, aparecem sem sintomas claros, como a febre. O risco é que elas se transformem numa infecção generalizada podendo ameaçar a vida do paciente.

Infecção urinária baixa e alta

A infecção urinária baixa, também conhecida como cistite, só produz sintomas relacionados ao trato urinário, urina com forte odor e sangue, dor e dificuldade para urinar. Depois de começar na bexiga, a infecção pode subir pelo ureter até atingir os rins e ocasionar a infecção urinária alta – pielonefrite. Neste caso, os sintomas são dor, mal-estar, vômitos e, no estágio mais grave, febre. Qualquer cistite pode levar à pielonefrite, mas, em 80% a 90% dos casos, a infecção urinária alta é provocada por uma bactéria presente no trato intestinal, a E.coli (Escherichia coli), que tem predileção pelo revestimento da bexiga.

Causas

O agente bacteriano mais comum nas é a E. coli em 90% dos casos. Outras bactérias com maior freqüência nos idosos são: Proteus, Klebisiella, Enterobacter cloacal, Citrobacter fecundii, Providenciae stuantii e Pseudomonas aeruginosa. Entre os organismos gram-positivos, os estafilococos, enterococos e o estreptococo grupo B são os mais frequentes.

 

Riscos em idosos
Mulheres

As mulheres jovens são mais propensas a ter infecção porque têm o canal urinário mais curto e próximo do ânus, o que favorece a contaminação por microrganismos. Já nas mulheres idosas esse risco se eleva com a diminuição da produção de estrogênio, que causa, entre outras alterações, o ressecamento e a inflamação das paredes vaginais, que podem levar à atrofia vaginal.

As relações sexuais também são um fator de risco. Tanto que a “cistite da lua de mel” é a infecção urinária que pode acontecer depois da relação sexual, já que o pênis pode ajudar a levar bactérias para dentro da vagina.

Uso de Fraldas

Os idosos, devido à incontinência urinária, precisam usar as fraldas geriátricas com frequência. A fralda é abafada, úmida (se tiver com urina), criando um ambiente favorável para o aumento das bactérias na região vaginal. Além disso, o idoso tem mais predisposição ao problema já que a imunidade pode estar mais baixa com o avanço da idade.

Outros maus hábitos como beber pouca água, sentir vontade de urinar e não ir ao banheiro e falta de cuidados com a higiene pessoal também contribuem para o problema.

Homens

No homem idoso, a causa principal é devido ao aumento da próstata, dificultando o esvaziamento da bexiga e causando infecções. Por conta desses fatores, nos idosos, a infecção pode tomar conta do corpo sem febre ou alterações na urina com odor, sangue ou pus, mas podem aparecer alterações sensoriais e mentais inespecíficas.

 

Prevenção

Se você já teve uma crise de infecção urinária, duas medidas simples podem ajudar: beba bastante água diariamente e não deixe de ir ao banheiro quando sentir vontade de urinar.

Procure, sempre que for ao banheiro, limpar a região do períneo com o papel higiênico no sentido da frente para trás. Do contrário, poderá trazer as bactérias que estão na região intestinal para dentro da vagina, causando a infecção da mesma forma. O sentido da ducha também é sempre de cima para baixo.

Urinar logo depois da relação sexual também pode ajudar aquelas pacientes com cistite de repetição. O xixi lava a uretra ajudando a eliminar bactérias que possam ter entrado durante o ato.

Portanto para evitar esse quadro, o ideal é realizar controles periódicos e adotar algumas medidas preventivas, como redobrar os cuidados com a higiene, beber água suficiente para ir ao banheiro de 6 a 7 vezes por dia, ir ao banheiro sempre que sentir vontade de urinar e conferir o aspecto da urina — quando ela está saudável, deve ser amarela clara, quase transparente, sem espuma ou cheiro muito forte.

Mulheres

Para as mulheres, pode ser indicada a reposição hormonal com estrógeno para o tratamento tópico da infecção urinária.

Homens

Já os homens devem realizar exames de sangue e de toque retal para verificar se a causa da dificuldade de urinar é o aumento da próstata.

 

Complicações

Entre as causas de confusão mental que não são relacionadas com problemas neurológicos estão: infarto do miocárdio, hipoglicemia e hiperglicemia, uso de corticoides, insuficiência hepática, insuficiência renal e autoimunidade e infecções, especialmente infecção urinária. As confusões desaparecem logo que estes problemas são tratados.

Os idosos muitas vezes não têm os sintomas clássicos da infecção urinária e a família precisa ficar atenta pois muitas das vezes, ficam mais sonolentos, mais agitados. Isso é indício de infecção.

 

Diagnóstico

Quando a paciente tem infecção urinária, o primeiro passo antes de tratar é reconhecer qual é a bactéria responsável pelo problema. Colher uma cultura de urina é fundamental.

Caso seja a primeira vez que a paciente faz a queixa dos sintomas da infecção urinária, o ideal é que um exame de imagem também esteja associado para o diagnóstico com cálculo renal, que pode ser uma possibilidade. O cálculo obstrui a urina que já está infectada com as bactérias. Quem toma remédio por conta própria pode, dessa maneira, ao invés de se livrar logo das dores ao urinar, fortalecer uma bactéria que não deveria permanecer no organismo.

Caso o paciente esteja em estado crítico, onde seja observada a possibilidade da doença evoluir para uma infecção generalizada, com falência de órgãos, medidas drásticas como suporte da respiração e do coração poderão ser tomadas.

 

Tratamento

Nas infecções urinárias não complicadas, algumas questões devem ser definidas: quem necessita de tratamento com antibióticos? Naqueles com indicação terapêutica – quais agentes antimicrobianos devem ser empregados e qual a duração do tratamento?  Que medidas clínicas, além de antibióticos, podem ter utilidade?  E quais as orientações higieno-dietéticas?

Como norma geral, pacientes idosos com bacteriúria assintomática não devem ser tratados com antibióticos, pois existe o risco desnecessário de seleção de bactérias mais resistentes, da interação e reação alérgica às drogas, além dos custos do tratamento. Aumento de hidratação e deambulação dos enfermos é recomendável. Essa regra não deve ser seguida em algumas situações, como nos casos de obstruções do trato urinário, quando houver necessidade de procedimento invasivo e em doenças com potencial de interferir com a resposta orgânica, como o diabete não compensado.

 

Perguntas frequentes
Segurar o xixi pode causar infecção urinária?

Segurar o xixi não vai causar esse problema. Porém, quem bebe pouco líquido e deixa para urinar quando a bexiga está extremamente cheia – períodos que podem chegar a até 6 horas – pode dar mais chance para a bactéria alcançar a bexiga e se instalar, originando a infecção. Desse modo, a infecção não está associada a segurar o xixi, mas sim a ingerir pouco líquido, pois quem bebe muito não consegue aguentar períodos tão longos sem ir ao banheiro.

Levantar várias vezes durante a noite para fazer xixi é normal?

Não. É considerado dentro da normalidade, no máximo, 8 idas ao banheiro em 24 horas. Mas, em média, uma pessoa urina 1,5 L por dia e, especificamente à noite, há uma menor produção por conta da liberação do hormônio antidiurético. É comum ir uma vez ao banheiro no período noturno. Passando desse número, é possível que seja algum problema, como produção maior de urina ou bexiga de pequena capacidade.

Por que algumas pessoas sentem vontade de fazer xixi com muita frequência?

Pessoas que ingerem muito líquido vão mais vezes ao banheiro. O que não é comum é ir com muita frequência ao banheiro sem ter a ingestão de líquido aumentada. Nesta situação, é possível que a bexiga tenha pequena capacidade.

Fazer xixi antes de sair de casa para esvaziar a bexiga, “por precaução”, pode evitar complicações?

Sim. Infelizmente, ninguém está livre de incidentes ou acidentes. E uma bexiga cheia corre o risco de ruptura. Piora ainda no sexo masculino, onde trauma uretral pode deixar impossibilitado por meses devido à realização de reparos cirúrgicos.

Beber água o dia inteiro é realmente bom para a saúde?

Algumas pessoas realmente precisam beber mais líquido, por exemplo, quem tem formação de cálculo renal ou faz uso de medicamentos, pois o hábito dilui a urina e evita a formação de pedra. Por outro lado, quem tem insuficiência cardíaca deve evitar quantidades elevadas. Já quem não tem nenhum problema de saúde não precisa beber água além da quantia padrão recomendada.

A melhor maneira de saber se está tomando a quantidade de líquido adequada é olhar o xixi. Se estiver muito concentrado, significa que está com pouco líquido no corpo e então é necessário beber mais. O ideal é que a urina esteja em um tom amarelo claro.

Beber água realmente previne pedra no rim ou quem tem predisposição terá de qualquer jeito?

A formação de cálculo renal está associada ao componente hereditário e constitucional da própria pessoa. Quando se bebe mais líquido, a urina fica mais diluída, evitando assim, a formação de cálculo renal. No caso de quem já tem a pedra, o hábito de ingerir líquido também é indicado a fim de evitar o crescimento do cálculo já existente. Porém, mesmo bebendo líquido, a predisposição genética aumenta a chance de desenvolver o problema.

Como prevenir a infecção urinária?

A infecção urinária não tem fatores muito fáceis de prevenção.  Entre esses fatores estão a anatomia da uretra, o canal da urina e a distância desse canal com o ânus. De qualquer forma sempre se recomenda a ingestão de líquidos e boa higiene.

 

Saúde

Dr. Sergio Munhoz

Pneumonia no Idoso

 

A pneumonia é uma inflamação dos pulmões causada por agentes infecciosos, especialmente vírus e bactérias. É uma das principais causas de internação hospitalar e no Brasil, e representa a quarta causa de hospitalização em idosos.

Com o envelhecimento populacional, as doenças infecciosas aumentaram na população e a pneumonia é a mais preocupante pois pode causar quadro grave, levando à morte.

Fatores de Risco

Idade

Inúmeros fatores estão associados à maior ocorrência de pneumonia em idosos. Em primeiro lugar a idade, especialmente acima dos 65 anos.

Tabagismo

Entre os maiores fatores de risco está o tabagismo. Não bastassem as quase cinco mil substâncias expelidas pelo cigarro, a ação destas substâncias sobre a mucosa bronco-bronquíolo-alveolar acarreta diminuição do muco e vilosidades, propiciando ambiente propício à infecção. A situação se agrava pela presença de doenças associadas, tais como diabetes, hipertensão, asma, insuficiência cardíaca.

Desnutrição

Entre os idosos, anemia e desnutrição estão frequentemente presentes, o que torna necessárias frequentes hospitalizações, contribuindo para aquisição bacteriana

Moradia

Cada vez um número maior de idosos moram em instituições de longa permanência, e nem sempre os cuidados são preventivos.

Postura

Muitos idosos fazem uso de medicamentos para dormir, o que pode facilitar a ocorrência de aspirações produzindo broncopneumonias.

Sonda gástrica

Idosos com sequelas de derrame, doença de Parkinson, esclerose lateral amiotrófica e Alzheimer, em períodos bem avançados da doença, usam sondas gástricas para alimentação, o que propicia risco de aspirações pulmonares.

Alcoolismo

Pacientes alcoólatras possuem sistema de defesa do organismo mais frágil, o que pode contribuir para pneumonias.

Envelhecimento

Uma das alterações da musculatura do tórax é a diminuição da força dos músculos que ajudam na respiração e na tosse, tornando os pacientes susceptíveis a adquirir pneumonia.

Todos esses fatores favorecem o acúmulo de secreções no pulmão, que se tornam excelente meio de cultura para o crescimento das bactérias e desenvolvimento da pneumonia.

Apresentação da doença

Sintomas da pneumonia em idosos são muito diferentes do quadro clássico da doença em adultos, fazendo com que o diagnóstico seja mais difícil de realizar. Nem sempre há presença de febre, tosse com catarro e dor no peito associada à tosse e à respiração. E a radiografia de tórax no idoso poderá ser normal ou mostrar poucas alterações.

A presença de queda do estado geral, redução do apetite, desânimo e alteração do estado mental poderão ser indícios de quadro infeccioso pulmonar.

É importante observar que em idosos com alteração aguda do estado mental, sem quadro aparente, deverá ser pesquisada pneumonia, especialmente pois costuma ser mais grave, espalhando-se para o sangue e podendo levar à morte.

Tratamento

O tratamento da pneumonia no idoso pode ser feito em domicílio ou ambiente hospitalar, dependendo do quadro clínico, da idade e de doenças associadas. Muitas vezes, quando um paciente chega ao pronto socorro, seu quadro já é tão grave que é necessária a internação em UTI.

Para doentes com pneumonia ocasionada por bactérias, o tratamento indicado será o emprego de antibióticos, que são administrados o mais precocemente possível. Entretanto, para pacientes diagnosticados com pneumonia viral, o tratamento será sintomático, como analgésicos, antitérmicos e sem uso de antibióticos. Importante observar, de maneira geral, não está indicado o uso de xaropes contra a tosse, já que a tosse é um mecanismo protetor dos pulmões.

Prevenção

Vacinação

Existem diversas maneiras de se reduzir ou evitar a ocorrência de pneumonia, em especial pelo uso de vacinas contra a gripe, que deverá ser feita anualmente. A contra o pneumococo deve ser tomada em uma dose, com um reforço depois de cinco anos.

Cuidados gerais

Constituem as medidas mais importantes: uma boa higiene oral, um posicionamento correto – elevando-se a cabeça no leito – , boa alimentação e controle das doenças crônicas associadas.

Fisioterapia pulmonar

O suporte da fisioterapia pulmonar com objetivo de realizar movimentos mais ativos dos pulmões e eliminação das secreções é facilmente realizado, muitas vezes no próprio lar ou em clínicas apropriadas.

Pneumonia é contagiosa?

Normalmente os quadros de pneumonias não são transmissíveis e nem contagiosos. Contudo, quando alguém tosse na nossa frente, só é possível pegar a pneumonia se nossa defesa orgânica estiver muito debilitada, especialmente em pacientes portadores de doença pulmonar, de câncer, anemia intensa e importante desnutrição.

Portanto, familiares e cuidadores que acompanham diuturnamente idosos, especialmente com doenças crônicas associadas, devem ficar atentos quando idosos iniciam quadro agudo de confusão mental e desorientação pois, com o diagnóstico e tratamento precoce, a possibilidade de cura é maior.

Saúde

Dr. Sergio Munhoz

Prevenção contra cânceres

 

Câncer de colo de útero

Prevenir-se de um dos tipos de cânceres mais comum no mundo e no Brasil, como o câncer de colo do útero, é fundamental. Comprovadamente este tumor está intimamente ligado a relações sexuais, pessoas com multiparceiros, pessoas que tiveram multipartos vaginais e ao vírus herpes genital. A questão da higiene é fundamental. Atinge mulheres entre 30 e 50 anos.

Prevenção: O cuidado é evitar relações sexuais com diferentes parceiros. Sempre utilizar preservativo de maneira correta. Verificar verrugas ou feridas genitais. Evitar corrimento genital abundante com dor forte e sangue.

Pode não haver sintomas. Em alguns casos, pode ocorrer sangramento irregular ou dor. Importante fazer semestralmente o exame Papanicolau e tomar vacina contra o HPV.

Câncer de mama

Utilizar todas as estratégias para prevenção do câncer da mama, o de maior prevalência nas mulheres em todo mundo, é um desafio mundial. Estatisticamente 29% de todos tumores no sexo feminino são mamários. Geralmente o diagnóstico é após 40 anos de idade. Os cuidados deverão ser maiores quando há história da doença em parentes de primeiro ou segundo grau com o tumor – como mãe, irmã, mulheres sem filhos, mulheres que não amamentaram e mulheres que tiveram filhos após 30 anos de idade.

Prevenção: Praticar atividades físicas, alimentar-se de forma saudável, manter o peso corporal adequado, evitar consumos de bebidas alcóolicas, amamentar, evitar uso de hormônios sintéticos como anticoncepcionais e terapias de reposição hormonal, evitar sutiãs muito apertados e por longo tempo de uso no dia a dia. Observar presença de secreção mamilar, caroços ou nódulos endurecidos e fixos bem como alterações do aspecto da pele deformada e enrugada. Fazer exame ultrassonografia e Termografia semestralmente.

Câncer de boca

Cada dia um maior número de pessoas apresenta câncer na cavidade oral. Várias estruturas anatômicas podem originar tumores, como  língua, palatos, bochechas, gengivas e osso. Atinge homens e mulheres em quaisquer idades. Está relacionado com hábitos inadequados de vida.

Prevenção: Evitar bebidas e alimentos como sopas quentes e carnes assadas. Bem como bebidas alcoólicas e fumo. Observar posicionamento e tempo da prótese dentária. Escovar os dentes diariamente após refeições e, principalmente, examinar a boca no espelho mensalmente.

Câncer de próstata

O câncer de próstata tem maior prevalência nos homens. Chega a 30% de todos os tumores. A idade é um dos fatores importantes, já que os casos aumentam acima dos 45 anos. História familiar e parentesco de primeiro e segundo grau com a doença (pai, irmão) devem servir de alerta.

Prevenção: Verificar dor ao urinar e graus avançados de dificuldade para urinar assim como a frequência aumentada ao urinar durante a noite. Consulta ao médico urologista deve ser feita anualmente quando acima dos 40, 45 anos e semestralmente depois dos 60 anos.

 

Saúde

Dr. Sergio Munhoz

Um Brasil Grisalho

Em 1940, a expectativa de vida era de apenas 45 anos. As dificuldades eram imensas: era difícil obter combustível como meio de energia, iluminação; havia racionamento de alimentos básicos como arroz, feijão, óleo, sal; o vestuário era utilizado “até acabar”, literalmente, pois a produção era artesanal; o sistema de saúde era precário, com poucos médicos, poucos hospitais; vacinação, tratamento de água e esgoto não existiam. Tudo isso fazia com que a qualidade de vida e expectativa de vida fossem menores.

Na década de 90 a expectativa deu um grande salto: 66 anos.  As condições de vida melhoraram, em parte pelo êxodo rural iniciado ao final dos anos 60. As cidades foram sendo preparadas para atender uma demanda grande de pessoas com suas necessidades básicas. Em 2010, o IBGE constatou que o brasileiro continuava vivendo um pouco mais, 73 anos.  E hoje, em 2019, a expectativa de vida ao nascer é de fantásticos 75 anos!

Mas, com todo este aumento da expetativa de vida, houve um processo natural de envelhecimento da população brasileira. Uma nova geração de pessoas de 60, 70, 80 anos está a viver no Brasil.

Daremos um retrato da situação dos idosos no Brasil: quem são, onde vivem, com quem moram, como é sua saúde e vida.

DEMOGRAFIA

As mulheres continuam sendo a maioria, 56%, e os homens 44%. Do total de idosos, 32% possuem de 60 a 64 anos, 24% de 65 a 69, 18% de 70 a 74, 12% de 75 a 79 e 14% estão acima de 80 anos.

Mesmo com toda miscigenação dos nossos 500 anos, 54% são classificados como brancos, 37% são pardos e 9% são negros.

MORADIA

A prevalência maior mostra que 84% dos idosos estão vivendo nas áreas urbanas, especialmente nas grandes cidades. O campo, que outrora era o lugar mais comum e por vezes mais agradável, foi sendo abandonado. As áreas rurais também têm cada vez mais apresentado dificuldades logísticas.

Se antigamente era quase incomum termos um idoso nos lares, hoje a realidade é outra, pois 29% dos domicílios tem pelo menos uma pessoa morando com mais de 60 anos.  Houve também o aumento, entre 1991 e 2000, de 70% no número de netos e bisnetos que vivem sob a custódia dos avós.

Este fato de urbanização forçada criou uma situação muito grave para os idosos, já que boa parte do núcleo familiar passa o dia todo trabalhando fora de casa – 31% dos casais idosos moram com os filhos com idade de 25 anos ou mais, 26% moram sem a presença dos filhos e 15% moram sozinhos. Casos de “solidão” e processos depressivos são cada vez mais frequentes.

CASAMENTOS E RECASAMENTOS

Vivemos uma realidade estranha em relação há 50 anos: entre os anos 2000 e 2010, entre pessoas acima de 50 anos houve 55% mais casamentos e 28% mais divórcios.

EDUCAÇÃO

Quanto à parte educacional, há uma grande diferença em relação a meados do século XX, onde a maioria dos idosos era analfabeta. Todavia a média de estudo entre eles continua muito baixa, em 5 anos. Mas em pleno século XXI vemos idosos sendo alfabetizados, completando o primeiro, segundo grau, e até entrando em universidades. Mais de 200 instituições de ensino superior possuem programas de Universidade Aberta à Terceira Idade.

 FINANÇAS

Nesta época de dificuldades por qual passa o país, com alto desemprego, a participação dos idosos nas finanças do lar se tornou comum. Nove em cada dez idosos contribuem ativamente com o sustento financeiro dos lares, sendo que mais da metade são os principais responsáveis.

LAZER, CULTURA E ESPORTE

O lazer, o esporte e a cultura tem se difundido mais após a aprovação do Estatuto do Idoso, que baixou preços pela metade ou deu gratuidade em viagens, cinemas, teatro. 30% dos idosos acima de sessenta anos praticam atividades físicas como caminhada, pilates, hidroginástica. Um em cada 10s corredores da São Silvestre tem mais de 60 anos.

SAÚDE

A população da terceira, pelo próprio processo de envelhecimento, apresentará importantes alterações, sejam inflamatórias e/ou degenerativas.

Processos degenerativos do sistema nervoso central, como a Doença de Alzheimer, que atinge no Brasil 1,2 milhão de pessoas acima de 65 anos e nos próximos dez anos este valor deve dobrar. As dificuldades vão aumentar já que o processo de cura ainda está muito distante e o sistema público de saúde não consegue dar boas condições.

DEPRESSÃO

A faixa etária dos 60 aos 64 anos lidera o ranking quanto aos diagnósticos de depressão, totalizando 11%. Isso fez saltar no Brasil exponencialmente o consumo de medicamentos por idosos: especialmente os antidepressivos, de 8 para 24%.

SUICÍDIO

Muitos idosos acima de setenta anos tiram suas próprias vidas: a média de suicídio desta faixa etária da população é 3,5 vezes maior que a média da população em geral, demonstrando aos familiares que a atenção deve ser total.

VIOLÊNCIA

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- IBGE, em 2001 os idosos representavam no Brasil apenas 9% da população, 15 milhões de pessoas. Dez anos depois, em 2011, eram 12%, ou seja, 24 milhões de brasileiros e, em 2050, a perspectiva do nosso país é que se chegue a 64 milhões de idosos, o que representará 30% da população, número inimaginável nas décadas 60, 70, quando éramos classificados como uma população de jovens.

Os idosos também são vitimas da violência que se instalou no país nas ultimas décadas. O crime mais comum contra o idoso é o estelionato. Só na cidade do Rio de Janeiro em 2012 foram 22 idosos por dia vitimas deste crime. Triste, mas triste mesmo são as agressões sofridas por esta população, já que mais de 60% dos agressores são os do lar – filhos, parentes e cônjuges.

LARES DE LONGA PERMANÊNCIA

Unidades de acolhimento de idosos se difundiram: são ao todo 63% as instituições filantrópicas conveniadas, incluindo as leigas e religiosas, 30% são instituições privadas e 7% são públicas. Mesmo assim, ainda é menos de 1% da população idosa brasileira que mora nestes lugares.

CONSUMO

Mas com todos estes altos e baixos, no geral, a vida diária dos idosos têm melhorado, tanto é que cada vez mais estão entrando no mundo do consumo. Tornam-se, novamente, independentes. 20% associam as compras a uma atividade de lazer e 70% consultam, pesquisam e não compram pelo impulso.

HÁ ESPERANÇA

O Brasil ocupava em 2015, no ranking de qualidade de vida, a 56ª posição de 96 nações avaliadas, atrás até de países da América do Sul e Caribe. Um estudo brasileiro de 2013 mostrou que, de um total de 300 mil óbitos entre 60 e 74 anos, 70% poderiam ser evitados com melhorias nos serviços de saúde, maior acesso a tratamento médicos e melhor qualidade de vida.

Se há algo que se repete nas análises sobre o envelhecimento, e é uma das mais significativas tendências do século 21, é que é urgente fazer do mundo um lugar mais amigável para os idosos. Um em cada quatro idosos considera a sua experiência como a principal vantagem dessa faixa etária, mas ainda lhes falta  respeito e quebra de preconceitos contra si.

Honrar as “cabeças grisalhas” é algo ainda a perseguir.

Uma vida longa é a recompensa das pessoas honestas; os seus cabelos brancos são uma coroa de glória – Provérbios 16:31

Saúde

Dr. Sergio Munhoz

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