Um Brasil Grisalho

Em 1940, a expectativa de vida era de apenas 45 anos. As dificuldades eram imensas: era difícil obter combustível como meio de energia, iluminação; havia racionamento de alimentos básicos como arroz, feijão, óleo, sal; o vestuário era utilizado “até acabar”, literalmente, pois a produção era artesanal; o sistema de saúde era precário, com poucos médicos, poucos hospitais; vacinação, tratamento de água e esgoto não existiam. Tudo isso fazia com que a qualidade de vida e expectativa de vida fossem menores.

Na década de 90 a expectativa deu um grande salto: 66 anos.  As condições de vida melhoraram, em parte pelo êxodo rural iniciado ao final dos anos 60. As cidades foram sendo preparadas para atender uma demanda grande de pessoas com suas necessidades básicas. Em 2010, o IBGE constatou que o brasileiro continuava vivendo um pouco mais, 73 anos.  E hoje, em 2019, a expectativa de vida ao nascer é de fantásticos 75 anos!

Mas, com todo este aumento da expetativa de vida, houve um processo natural de envelhecimento da população brasileira. Uma nova geração de pessoas de 60, 70, 80 anos está a viver no Brasil.

Daremos um retrato da situação dos idosos no Brasil: quem são, onde vivem, com quem moram, como é sua saúde e vida.

DEMOGRAFIA

As mulheres continuam sendo a maioria, 56%, e os homens 44%. Do total de idosos, 32% possuem de 60 a 64 anos, 24% de 65 a 69, 18% de 70 a 74, 12% de 75 a 79 e 14% estão acima de 80 anos.

Mesmo com toda miscigenação dos nossos 500 anos, 54% são classificados como brancos, 37% são pardos e 9% são negros.

MORADIA

A prevalência maior mostra que 84% dos idosos estão vivendo nas áreas urbanas, especialmente nas grandes cidades. O campo, que outrora era o lugar mais comum e por vezes mais agradável, foi sendo abandonado. As áreas rurais também têm cada vez mais apresentado dificuldades logísticas.

Se antigamente era quase incomum termos um idoso nos lares, hoje a realidade é outra, pois 29% dos domicílios tem pelo menos uma pessoa morando com mais de 60 anos.  Houve também o aumento, entre 1991 e 2000, de 70% no número de netos e bisnetos que vivem sob a custódia dos avós.

Este fato de urbanização forçada criou uma situação muito grave para os idosos, já que boa parte do núcleo familiar passa o dia todo trabalhando fora de casa – 31% dos casais idosos moram com os filhos com idade de 25 anos ou mais, 26% moram sem a presença dos filhos e 15% moram sozinhos. Casos de “solidão” e processos depressivos são cada vez mais frequentes.

CASAMENTOS E RECASAMENTOS

Vivemos uma realidade estranha em relação há 50 anos: entre os anos 2000 e 2010, entre pessoas acima de 50 anos houve 55% mais casamentos e 28% mais divórcios.

EDUCAÇÃO

Quanto à parte educacional, há uma grande diferença em relação a meados do século XX, onde a maioria dos idosos era analfabeta. Todavia a média de estudo entre eles continua muito baixa, em 5 anos. Mas em pleno século XXI vemos idosos sendo alfabetizados, completando o primeiro, segundo grau, e até entrando em universidades. Mais de 200 instituições de ensino superior possuem programas de Universidade Aberta à Terceira Idade.

 FINANÇAS

Nesta época de dificuldades por qual passa o país, com alto desemprego, a participação dos idosos nas finanças do lar se tornou comum. Nove em cada dez idosos contribuem ativamente com o sustento financeiro dos lares, sendo que mais da metade são os principais click here responsáveis.

LAZER, CULTURA E ESPORTE

O lazer, o esporte e a cultura tem se difundido mais após a aprovação do Estatuto do Idoso, que baixou preços pela metade ou deu gratuidade em viagens, cinemas, teatro. 30% dos idosos acima de sessenta anos praticam atividades físicas como caminhada, pilates, hidroginástica. Um em cada 10s corredores da São Silvestre tem mais de 60 anos.

SAÚDE

A população da terceira, pelo próprio processo de envelhecimento, apresentará importantes alterações, sejam inflamatórias e/ou degenerativas.

Processos degenerativos do sistema nervoso central, como a Doença de Alzheimer, que atinge no Brasil 1,2 milhão de pessoas acima de 65 anos e nos próximos dez anos este valor deve dobrar. As dificuldades vão aumentar já que o processo de cura ainda está muito distante e o sistema público de saúde não consegue dar boas condições.

DEPRESSÃO

A faixa etária dos 60 aos 64 anos lidera o ranking quanto aos diagnósticos de depressão, totalizando 11%. Isso fez saltar no Brasil exponencialmente o consumo de medicamentos por idosos: especialmente os antidepressivos, de 8 para 24%.

SUICÍDIO

Muitos idosos acima de setenta anos tiram suas próprias vidas: a média de suicídio desta faixa etária da população é 3,5 vezes maior que a média da população em geral, demonstrando aos familiares que a atenção deve ser total.

VIOLÊNCIA

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- IBGE, em 2001 os idosos representavam no Brasil apenas 9% da população, 15 milhões de pessoas. Dez anos depois, em 2011, eram 12%, ou seja, 24 milhões de brasileiros e, em 2050, a perspectiva do nosso país é que se chegue a 64 milhões de idosos, o que representará 30% da população, número inimaginável nas décadas 60, 70, quando éramos classificados como uma população de jovens.

Os idosos também são vitimas da violência que se instalou no país nas ultimas décadas. O crime mais comum contra o idoso é o estelionato. Só na cidade do Rio de Janeiro em 2012 foram 22 idosos por dia vitimas deste crime. Triste, mas triste mesmo são as agressões sofridas por esta população, já que mais de 60% dos agressores são os do lar – filhos, parentes e cônjuges.

LARES DE LONGA PERMANÊNCIA

Unidades de acolhimento de idosos se difundiram: são ao todo 63% as instituições filantrópicas conveniadas, incluindo as leigas e religiosas, 30% são instituições privadas e 7% são públicas. Mesmo assim, ainda é menos de 1% da população idosa brasileira que mora nestes lugares.

CONSUMO

Mas com todos estes altos e baixos, no geral, a vida diária dos idosos têm melhorado, tanto é que cada vez mais estão entrando no mundo do consumo. Tornam-se, novamente, independentes. 20% associam as compras a uma atividade de lazer e 70% consultam, pesquisam e não compram pelo impulso.

HÁ ESPERANÇA

O Brasil ocupava em 2015, no ranking de qualidade de vida, a 56ª posição de 96 nações avaliadas, atrás até de países da América do Sul e Caribe. Um estudo brasileiro de 2013 mostrou que, de um total de 300 mil óbitos entre 60 e 74 anos, 70% poderiam ser evitados com melhorias nos serviços de saúde, maior acesso a tratamento médicos e melhor qualidade de vida.

Se há algo que se repete nas análises sobre o envelhecimento, e é uma das mais significativas tendências do século 21, é que é urgente fazer do mundo um lugar mais amigável para os idosos. Um em cada quatro idosos considera a sua experiência como a principal vantagem dessa faixa etária, mas ainda lhes falta  respeito e quebra de preconceitos contra si.

Honrar as “cabeças grisalhas” é algo ainda a perseguir.

Uma vida longa é a recompensa das pessoas honestas; os seus cabelos brancos são uma coroa de glória – Provérbios 16:31

Saúde

Dr. Sergio Munhoz