Por que existem mais idosos na população brasileira atualmente?

Não é novidade que a população brasileira está envelhecendo e a velocidade nunca foi tão grande quanto agora. Os últimos números do IBGE mostram que a economia e as condições sociais já estão sendo afetadas pelo crescimento da população de velhos. Qual será o futuro dos idosos no Brasil, sendo que a cada dia a população envelhece ainda mais? Veja um pouco mais desta discussão!

Velhice em números no Brasil

 

Atualmente, a população brasileira atingiu o montante de 201,5 milhões de pessoas. O detalhe está no fato de cada vez menos crianças nascerem no Brasil e a cada dia mais velhos estamos ficando. A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2013, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), informa que a população envelhece em tempo veloz. Mais de 362.555 pessoas em 1.100 municípios, sobre as condições de vida e composição etária da população.

 

Em 12 anos, como aponta a pesquisa, a proporção de crianças de 0 a 9 anos caiu de 18,7% do total de habitantes, em 2001, para 13,9% em 2013. Além disso, a proporção de crianças e adolescentes de 10 a 19 anos de idade também despencou se considerados os anos 2001 a 2013, com queda de 15,9% para 13,4% do total dos brasileiros.

idoso população

Na análise da população acima dos 60 anos – em que é definida a condição de idoso, os números só crescem: de 12,6% da população, em 2012, passou para 13% no ano passado. Temos mais de 26,1 milhões de idosos no país. E para fazermos uma avaliação da população idosa do futuro, que hoje ainda está na faixa de 40 anos, vemos 75,7 milhões de pessoas contra as 62,3 milhões de crianças e adolescentes (faixa de 0 a 19 anos), indicado um futuro ainda menos proporcional.

 

Mas quem são estes idosos brasileiros? No Sul, a proporção de idosos é de 14,4% do total. O Norte é a região com menos idosos em percentual, chegando a 8,8% de idosos. Sempre foi percebida uma quantidade maior de mulheres idosas em relação aos homens – e continua subindo, de 51,3 para 51,5% do total em 2013. A quantidade de homens que compõem a população caiu nos últimos anos de 48,7% para 48,5%. A proporção de mulheres para homem é de 56% para 44% com mais de 60 anos. Não faz tanto tempo – apenas 24 anos, a proporção era quase inversa: 56% eram mulheres e 44%, homens.

 

Em outra pesquisa de longo prazo, realizada pela Cepal – Comissão Econômica para América Latina e Caribe, realizada no ano de 2004, indica uma rápida aceleração da população de idosos, que de 40 milhões no ano 2000 passará a para 96 milhões, em 2025 na América Latina. O mesmo aumento de velhos na população brasileira é visto como uma tendência em todos os países latino-americanos. Só no país, serão 55 milhões de velhos em 2040, o que representa 27% da população.

 

 

O que faz a população envelhecer?

 

Há muitos fatores que fazem aumentar a população de idosos e diminuir o número de nascimentos: melhores condições de vida, avanço da medicina e longevidade, planejamento familiar e controle da natalidade, aumento do número de pessoas que não desejam ter filhos, etc.

 

Se há 50 anos era comum as famílias terem 7 ou 10 filhos – até mesmo como modo de ajudar a família no seu sustento – hoje a média de filhos por casal é de um ou dois, em sua maioria. No entanto, a população continuou a crescer em termos de idosos e muito idosos (acima dos 80 anos).

 

Como lidar com a velhice na sociedade?

 

Já temos 13 milhões de pessoas na categoria “muito idoso” (tem 80 anos ou mais), um grupo que na maioria dos casos possui necessidades especiais click here e exigência de amparo – seja pela família ou pela iniciativa pública. Não é preciso pesquisas muito aprofundadas para compreender que já temos um déficit de serviços públicos dedicados à esta população e o futuro não é nada promissor – é no campo da saúde em que as contingências e desafios aparecem, ainda mais nos serviços públicos de saúde, assistência social e Previdência – que não conseguem suprir as necessidades atuais de atendimento a esta população.

 

Em 2050, quando os velhos serão quase 30% da população do país, o suporte social e os benefícios da seguridade social, já menos contribuintes, uma vez que há cada vez menos jovens economicamente ativos, é esperado um grande déficit destes recursos.

população idosa

É preciso que a sociedade repense seus recursos e suas políticas públicas para se preparar para o que está por vir. Há ainda uma carência de serviços privados – que na maioria dos casos, além de afastar o idoso da convivência com seus familiares, não é acessível à maioria dos brasileiros. Há uma forte tendência dos membros da família se intercalarem para fazerem o papel de cuidadores de seus idosos – principalmente aqueles que possuem limitações e estão acima dos 80 anos. Atualmente, é possível as famílias aliarem boas práticas com os recursos tecnológicos a fim de garantir as melhores condições de saúde e de bem-estar aos membros mais velhos da família.

 

No entanto, todas as pesquisas citadas apontam que os mais jovens não têm se efetivado da função de cuidadores, uma vez muitos ainda estudam e trabalham ao mesmo tempo, não são economicamente capazes de sustentar seus pais ou responsáveis com mais idade, não estão preparados para abrirem mão de um tempo em que poderiam estar trabalhando. Há ainda a falta de orientação e educação para a convivência e apoio com pessoas mais velhas e dependentes – este é um assunto pouco abordado, por exemplo, nas escolas brasileiras.

 

Todas estas justificativas deverão apresentar um preço caro: alguém da família deverá renunciar a uma fatia do seu trabalho remunerado para cuidar de um ente idoso. Na impossibilidade, o governo deverá ser exigido para arcar com as despesas e lançar serviços necessários a esta população – como já ocorrem em países com grande composição de idosos na população, como é o caso do Japão e dos países europeus. Desta forma, não é novidade dizer que o Brasil deve pensar desde já em criar um sistema de proteção social e amparo à população idosa, não apenas garantindo o apoio financeiro, mas oferecendo serviços adequados.

 

O primeiro passo, neste caso, é investir em políticas públicas abrangentes quanto aos serviços de saúde, bem como na oferta de tratamentos e acompanhamentos de doenças crônicas. Mas isso é o básico: há muitas outras garantias que devem ser estabelecidas, inclusive para evitar o isolamento social desta população. Até os 60 anos, muitos considerados “idosos” ainda são economicamente ativos. Mas no caso da população com mais de 80 anos, é preciso que haja uma ética de integração e valorização, apoiada a um sistema de saúde assertivo.

 

O papel da família na vida do idoso

 

Não adianta exigir do governo intervenções (mesmo que sejam essenciais), quando a própria família não está preparada para receber, amparar e dedicar-se ao bem-estar daqueles que tanto fizeram por seus filhos. Cuidar dos pais em casa é uma tendência mundial e que deve ser a resposta mais comum para esta questão.

 

Não pode ser vista apenas como uma obrigação moral e econômica com o idoso, mas como uma experiência enriquecedora para toda a família. Integração, motivação, assistência à saúde e higiene, garantia de segurança física e emocional, afetividade – todos estes conceitos são expoentes importantes na relação da família com os mais velhos.

 

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