Alimentos Funcionais – parte 1

 

O aumento do percentual de idosos na população geral é fato inquestionável desde as últimas décadas. Este fenômeno se deve especialmente ao incremento na expectativa de vida.  No Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que a população de idosos dobrou nos últimos 20 anos. Certas conquistas tecnológicas da medicina moderna que ocorreram ao longo dos últimos setenta anos, como o desenvolvimento de novas vacinas, antibióticos, quimioterápicos e exames complementares de diagnóstico, além dos avanços na área da assepsia, favoreceram a adoção de medidas capazes de prevenir ou curar muitas doenças até então fatais.

Neste rol de avanços científicos a alimentação passou a ter uma atenção maior. Deixou de ser um ato quase que involuntário para a sobrevivência para ser estudada com maior carinho.

Assim, uma ciência nova foi criada, apenas para cuidar da análise qualitativa e quantitativa dos alimentos. Dentre eles estão os denominados alimentos funcionais. Mas o que são eles?

Alimentos funcionais são alimentos ou ingredientes que oferecem benefícios à saúde, além de suas funções nutricionais básicas. Eles podem, por exemplo, reduzir o risco de doenças crônicas degenerativas, como câncer e diabetes.

O interesse neles é relacionado à qualidade de vida, doenças genéticas, caráter familiar ou mesmo as alterações fisiológicas “normais” da velhice. Não podemos esquecer que cada dia com o envelhecimento e maior tempo de vida muitas doenças estarão presentes, dentre as quais o aumento da pressão arterial, a presença de diabetes, doenças como artrites, artroses, pessoas pós infarto do coração, amputação partes de seus membros, ou mesmo acidentes vasculares cerebrais.

A dúvida de muitas pessoas hoje em dia é o fato de pensarem que os alimentos funcionais funcionam como medicamentos. Não são substitutos para remédios!

Então, para que seus benefícios sejam alcançados, é preciso consumi-los de maneira regular, incluindo principalmente vegetais, frutas e cereais integrais na alimentação. Afinal, grande parte dos componentes ativos estudados se encontra nesses alimentos.

Para quem quer se beneficiar dos alimentos funcionais, é recomendado substituir parte do consumo de carne bovina, embutidos e outros produtos à base de carne vermelha, por soja e derivados, especialmente carne de soja e isolados proteicos de soja ou peixes ricos em ômega 3.

É preciso ter em mente um detalhe fundamental para o funcionamento eficaz dos alimentos funcionais: eles só funcionam quando combinados com uma dieta equilibrada e balanceada. Não adianta utilizar um alimento para controlar o colesterol, por exemplo, se ela não for combinada com uma dieta pobre em gordura saturada e colesterol.

Conheça os principais compostos funcionais investigados pela ciência, para que servem e em quais alimentos são encontrados:

1- ISOFLAVONAS

Para que servem?

Ação estrogênica- tem a capacidade de reduzirem os sintomas das menopausas- portanto muito útil para as mulheres acima dos 45 anos, em especial para as que sofrem com os períodos de intenso calor. Também as pesquisas dizem que em muitos casos de câncer poderiam ser evitados.

Onde encontrar: Soja e derivados.

2- PROTEÍNAS DE SOJA

Ajuda na redução dos níveis de colesterol.

Onde encontrar: Soja e derivados.

3- ÁCIDOS GRAXOS OMEGA 3

Ajudam na redução do LDL – colesterol.

Esta letrinha significa e faz parte do conjunto de óleos necessários para nossa vida. Os níveis dele não podem ultrapassar os valores recomendados.

Também apresentam uma resposta na ação anti-inflamatória. A partir de uma idade os processos degenerativos do corpo, o processo de envelhecimento e muitas doenças produzirão substâncias inflamatórias. Compostos contendo ácidos graxos e ômega 3 foram satisfatoriamente analisados e produziram resposta importante na inflamação. O resultado são menos dores no corpo.

Outra importante contribuição e indispensável é para o desenvolvimento do cérebro e da retina de recém-nascidos.

Onde encontrar: Peixes marinhos como sardinha, salmão, atum, anchova.

4- ÁCIDO a- LINOLÊNICO

Estimula o sistema imunológico.

As doenças degenerativas e especialmente os cânceres estão diretamente implicados na diminuição da atividade imunológica. As vacinas que tomamos quando crianças, e depois de adultos, precisam ser complementadas. Os alimentos que contém ácido a linolênico possuem capacidade de melhorar nossa imunidade.

Também tem ação anti-inflamatória e assim ajudam a diminuir as dores do corpo.

Onde encontrar: Óleos de linhaça, soja; nozes e amêndoas.

5- CATEQUINAS

Reduzem a incidência de certos tipos de câncer. Difícil afirmar se uma substância alimentar estará reduzindo este ou aquele tipo de câncer, mas o que está comprovado é que pessoas que passam a consumir substâncias que possuem catequinas terão menor possibilidade de terem câncer.

As catequinas também reduzem o colesterol.

Finalmente, alimentos que possuem altas concentrações de catequinas, estimulam o sistema imunológico e dão maior resistência ao organismo. Afinal, um corpo físico com 50, 60, 70 ou mais 80 anos, já sofreu muitos “embates” bacterianos, virais e fúngicos, e precisa continuar resistindo à esta batalha microbiana.

Onde encontrar: Chá verde, cerejas, amoras, framboesas, mirtilo, uva roxa, vinho tinto.

 

No próximo artigo continuaremos a falar sobre os alimentos funcionais e seus benefícios.

Saúde!

Cuidados essenciais de nutrição com pacientes acometidos pela doença de Alzheimer

 

Quando somos bebês, a alimentação consiste em fator essencial. É cuidadosamente administrada pelas nossas mães: tipos, quantidades e horários deverão ser obedecidos, já que distorções destes poderão produzir intensas disfunções, passando pela desidratação e desnutrição.

Durante o nosso crescimento ocorrem mudanças importantes e adaptações. Quando envelhecemos, muitas são as alterações fisiológicas, como perda de dentes, disfunção no olfato, do paladar e rejeição a muitos alimentos, chegando a ocorrer em alguns idosos sérios graus de desnutrição, implantação de doenças graves e alguns quadros chegando a morte.

Em se tratando de doentes com doença de Alzheimer, o quadro alimentar é de fundamental importância a ser adaptado e deve ser seguido rigorosamente, pois o fato da diminuição ou perda total da memória dificulta aos doentes manterem o grau de nutrição adequado.

Tipos de alimentos

A boa nutrição é importante para a saúde geral e também para o funcionamento cerebral. Uma alimentação saudável é muito importante para o bem-estar, a disposição física e até para a cognição.

Ao contrário de algumas doenças, especialmente a hipertensão arterial sistêmica e diabete mellitus tipo 2, onde há restrição de alimentos, para o paciente com doença de Alzheimer não há restrição: apenas devem ser feitos ajustes, de forma individualizada, em doentes com grau mais avançado.

São, assim, comuns queixas envolvendo alteração no apetite e pode ocorrer perda de peso ou fome exagerada. A monitorização do cuidador e da família deverá ser seguida com atenção.

Verduras, legumes e frutas

As verduras são o que existe de melhor para uma alimentação saudável.
Delas se extraem vitaminas e sais minerais, e ainda servem como fibras para melhor digestão e funcionamento intestinal. Infelizmente, quando crianças alguns tem dificuldades para sua ingestão, e isso às vezes continua na idade adulta. Quando idosos, ocorre a diminuição do metabolismo, ou seja, da energia para o dia a dia, o que piora quando o doente fica sentado e acamado.

Há várias formas de fazer com que o idoso ingira adequadamente seu alimento, que pode ser na forma de caldos, sopas, cremes, bolos, etc.

Legumes também constituem importante grupo de alimentos para todas as pessoas. Cenouras, batatas, couve flor, brócolis deverão ser colocados na dieta daqueles com doença de Alzheimer. E o interessante é que são de diversas cores, o que possui significado para o paciente.

As frutas completam o quadro de alimentos essenciais na administração da dieta. Elas possuem açúcares naturais, indispensáveis para manutenção da energia do corpo, de sabores diversos, e quantidades adequadas de vitaminas.

Arroz, feijão, lentilha, grão de bico, aveia

Arroz e feijão são alimentos indispensáveis a quaisquer pessoas, especialmente nos costumes dos brasileiros. De modo geral, os grãos como lentilha, grão de bico e aveia devem fazer parte da dieta de doentes com Alzheimer.

Sempre administrado em quantidades adequadas e nos horários programados.

Temperatura

É importante o cuidador que, no momento da administração dos líquidos e dos alimentos, verifique a temperatura deles, já que alimentos muito frios poderão ser recusados, assim como os quentes poderão queimar a língua e consequentemente o doente pode ficar dias sem se alimentar.

Dica: utilize prato térmico para evitar que a comida fique fria enquanto o paciente está se alimentando, visto que o processo poderá ser lento e demorado.

Perda de Peso

Muito importante a observação em pacientes com doença de Alzheimer a perda de peso. Associada normalmente a três quesitos básicos: dificuldades cognitivas, físicas e alterações no apetite. Assim, deve-se acompanhar quinzenalmente o peso do paciente, seja quando sair para consultas médicas e odontológicas, compra de medicamentos, pesando-o ou comprando uma balança em sua casa. Sempre será mais difícil reverter um quadro de desnutrição do que fazer a prevenção da perda de peso.

Percebemos que mesmo no nosso dia a dia as pessoas não gostam de pesar-se, seja por “medo” de saberem quanto estão acima do peso ideal ou mesmo por não darem importância.

Em doentes com Alzheimer o cuidador, contratado ou familiar, deverá saber quanto está o peso. Encontrando valores 5% abaixo do peso anterior, a atenção deverá ser total, comunicando ao médico ou nutricionista para as adequações necessárias.

 

Dicas para evitar perda de apetite: Cores

Se quando nossos filhos são pequenos utilizamos várias cores para prender a atenção deles, nos doentes com Alzheimer são fundamentais. Pratos de cores azuis, colheres vermelhas, copos amarelos, lenços ou guardanapos com cor verde são muito empregado para estimular os pacientes. Quanto a alimentos, também deverão ter diversas cores. Naturalmente as frutas como laranjas, mangas, abacaxi e abacate, e legumes como cenoura, tomate e beterraba chamam a atenção para uma boa refeição.

Alimentos que possam ter contato com as mãos são mais fáceis de serem administrados e agradáveis.

 

Líquidos

Todo ser humano possui uma quantidade de água no seu organismo: de 60 a 65% do peso. Em recém-nascidos e bebês a quantidade é bem maior que em adolescentes, jovens, adultos e idosos. Em se tratando de idosos, a quantidade no corpo humano cai drasticamente, particularmente na mulher, e obesa, chegando a menos do 50% do peso.

Doentes com Alzheimer em sua maioria são pessoas acima de sessenta anos, do sexo feminino e que estão acima do peso, e com um fator agravante: com perda da memória e com dificuldades em manter-se hidratado.

Por isso, atenção máxima à ingestão de líquidos. Periodicamente, durante o dia, água, chás e sucos devem ser administrados.

Copos com cores variadas e numerados e marcados com quantidade em mililitros (ml) facilitam a totalização ao final do dia de quanto foi administrado. Em períodos mais quentes, deve-se aumentar a ingestão, mesmo com a recusa dos pacientes.

Afinal a diversificação será um fator estimulante para cuidar com esmero e dedicação do seu ente querido.

Forte abraço

Projeto cuidar dos pais em casa

Dr. Sergio Munhoz

 

Dicas de Higiene para pacientes com Alzheimer

Titia foi diagnosticada com a doença de Alzheimer, e agora?

A perda de memória é uma das principais características da doença. Com o passar do tempo, o idoso esquece acontecimentos importantes da sua vida e de pessoas próximas.

Caso real:

Moramos em Manaus Amazonas nos anos 80, 90 e 2000. Meus filhos aguardavam sempre as férias escolares. Optamos, num determinado ano, irmos para Paraíba, passar as férias com primos, tios, vovô. Lembro-me muito bem de uma tia da minha mulher. Já sexagenária, saudável, ativa. Criou 7 filhos no interior da Paraíba. Conversávamos para saber as histórias de vida.

Anos se passaram. Mudamos para João Pessoa, e agora estávamos mais próximos dos parentes, e da tia da minha mulher. Agora ela não morava mais sozinha, uma de suas filhas foi morar com ela. Quando a vi, quase não a reconheci. Não estava mais saudável, e sim muito doente. Aquela atives desaparecera, dando lugar à total incapacidade de agir, totalmente dependente. A fisionomia estava totalmente alterada. A demência na forma da doença de Alzheimer havia se instalado. Restava somente controlar.

Bem: não é surpresa a população envelhecer. No mundo, a cada dia, aumenta a expectativa de vida das pessoas. Por um lado o envelhecimento trará inúmeras alterações, sejam de ordem funcional como dos órgãos vitais – coração, pulmão, fígado -, sejam de ordem degenerativa musculoesquelética, com artrites e artroses, ou ainda de ordem cognitiva, como as doenças degenerativas do componente cerebral, das quais a doença de Alzheimer é a expressão maior, pela incapacidade que produz.

Com certeza você já conhece alguém com Alzheimer. Quem sabe perto da sua casa ou dentro da sua própria família há um doente, algum parente, ou até seu pai ou sua mãe podem estar com a doença.

O que fazer? O primeiro momento é de descredito. De desespero. A pessoa está idosa, no início da sua aposentadoria, e agora poderia passear, descansar, ter uma melhor qualidade de vida.

Um segundo momento é de pensar, raciocinar com a situação instalada, e dizer: o que eu faço agora?

Imediatamente se pensa: devo procurar um profissional para obter as orientações. Tudo que preciso para entender o terrível quadro e suas repercussões. E ajudar.

Foi pensando nestas dificuldades e nestes momentos que o projeto Cuidar dos Pais em Casa – Cdpec – iniciou-se: com objetivo de facilitar para filhos, genros, noras, sobrinhos e netos o acesso a informações científicas, técnicas e dicas práticas para lidar com aquele que até um tempo atrás era independente, ativo, saudável e, hoje, totalmente dependente. E, o pior, com perda da memória.

A memória é algo imprescindível no ser humano. Na realidade, o que nos torna um ser altamente inteligente dos três tempos: passado, presente e futuro. Como pessoas, todos nós precisamos nos cuidar. Em todos os aspectos. A dependência até a adolescência vai desaparecendo gradativamente. Mas o doente, com perda progressiva da memória, com doença de Alzheimer, agora até a sua morte precisará ser cuidado.

E quais são os cuidados iniciais básicos fundamentais?

Vamos falar neste artigo sobre Higiene. Ela preenche uma série de atitudes diárias. Começaremos com a higiene oral.

Higiene Orofacial

Sabidamente a cavidade orofacial é o local que deverá ser diariamente e várias vezes cuidado. Nela temos várias estruturas que necessitam de assistência, como ossos, língua, nervos, local para respirar e deglutir. Examine bem pedindo para abrir bem a boca.

Equipamentos

Escova e creme dentais, prótese dentária.

Nem sempre idosos possuem os seus dentes, aliás muitos já os perderam, usam próteses dentárias, alguns só superiores ou inferiores, mas, uma ampla maioria usa ambas.

Use sempre escovas dentárias macias. As de bebê com cerdas suaves não são traumáticas. Escove bem o palato (céu da boca), as gengivas, as bochechas e especialmente a língua (pode ser utilizado um limpador apropriado). Tire todas as pequenas sujeiras que ficam acumuladas.

Para a prótese dentária: use produtos apropriados antibacterianos e, a cada seis meses, vá ao dentista para verificar se precisam ser trocadas.

Lembrem-se de sempre escovar a cavidade oral, a cada pequena, média ou grande refeição, afinal há perda de memória, e estes hábitos de higiene se perderam.

Olhos, ouvido

Os olhos podem acumular secreções, assim como o ouvido. E o idoso com perda de memória não saberá quando limpou e quanto havia de impurezas.

Utilizar colírios suaves e não irritantes evitará que os dedos das mãos os toquem e contaminem.

Muitas vezes, os ouvidos acumulam secreções, ceras, dificultando a boa audição. Limpá-los durante o banho facilita o amolecimento e retirada sem traumatizar.

Banho

Hábitos de higiene são fundamentais para manter uma boa saúde e evitar doenças. É sabido que o idoso nem sempre deseja tomar seu banho diariamente. Reclama que não está sujo. Que não caminhou. Que não trabalhou. Não transpirou. E que o tempo está temperado e não está suado. Assim, algumas dicas podem facilitar:

Horário

Tenha um horário habitual para a hora do banho. Caso o idoso esteja mais desorientado e alterado, dizendo que acabou de tomar seu banho, espere, aguarde um momento. Não brigue, não retruque. Espere um pouco mais e em seguida explique que precisa do banho.

Faça do banho um momento de relaxamento. Regule a temperatura da água. Explique à pessoa que irá tomar banho que a temperatura está morna. Explique passo a passo sobre o banho e sua importância e que será rápido.

Mas atenção: deixe todos os produtos de higiene no banheiro: sabonete, shampoo (ambos devem ser antialérgicos e não irritantes), toalhas e roupas macias e coloque a pessoa sentada debaixo do chuveiro. Portanto: não demore. Seja breve.

E lembre-se para garantir um banheiro seguro é imprescindível, barras de apoio, cadeira para sentar-se, pisos antiderrapantes, pois quaisquer descuidos poderão resultar em quedas e as temíveis fraturas.

Unhas e Cabelos

As unhas crescem na velocidade de 3mm por mês. Durante o dia, no verão entre os homens e em pessoas obesas, o crescimento pode ser mais acelerado. Portanto, semanalmente deve-se apará-las, cuidadosamente.

Os cabelos crescem 1-1,5 cm ao mês. Uma pessoa idosa, doente, com perda da memória poderá acumular secreções, insetos e piolhos se uma boa higiene não for realizada. Cortar os cabelos, mensalmente, faz-se necessário.

Vestimentas

No processo inicial o doente será capaz de vestir-se, se auxiliado. Combine peças que possa escolher. Se avançada a doença, o paciente será incapaz de vestir-se sozinho (já vi muitos andarem nus dentro dos lares).

Assim, as roupas deverão ser macias, leves, antialérgicas e não irritantes, sem botões, fivelas, cintos ou zíper para evitar riscos de acidentes, e trocadas duas vezes ao dia (pela manhã e antes do jantar).

O papel do cuidador é fundamental. Seja um profissional contratado ou alguém da família. A assistência será 24 horas por dia. Por isso, alternar pessoas faz-se necessário.

Cuidadores de pessoas com doença de Alzheimer apresentarem síndrome de Burnout é extremamente frequente. Cuidado para não adoecerem junto com o doente!

Sapatos

Nem sempre doentes com Alzheimer caminham pela casa. A tendência é ficarem mais parados. Na cadeira, no sofá ou mesmo na cama. Calçados deverão ser apropriados. Sapatos que ficam presos aos pés e com solas antiderrapantes são os indicados.

Estas dicas apresentadas no programa Cuidar dos Pais em Casa aos doentes que apresentam degeneração do cérebro e apresentam demência, grave como na doença de Alzheimer, com certeza facilitarão aos cuidadores contratados, ou familiares treinados, uma boa organização diária, e com certeza, uma melhora na qualidade de vida.

 

Afinal, cuidar bem de quem cuidou de você é a melhor maneira de demonstração de amor e gratidão.

Forte abraço

Projeto cuidar dos pais em casa

Dr. Sergio Munhoz

 

Mantendo as forças físicas na doença de Alzheimer

 

Pelo fato de termos ossos, somos considerados seres vertebrados. E como ossos precisam de estruturas para estarem firmes e unidas, eles são ligados aos tendões, que precisam estar presos a músculos. Portanto os conjuntos músculos-tendões-ossos são imprescindíveis para um bom funcionamento do nosso corpo.

O culto ao corpo no final do século XX e neste século veio trazer uma abordagem enaltecendo o físico e ao mesmo tempo produziu distorção na imagem de como deveríamos ser. Isso acarretou na presença de músculos hipertrofiados e fortes e sobrepuseram a moral, ética e a personalidade. De qualquer forma, o que se produziu de bom foi a criação de academias fechadas e privadas, academias públicas em praças e pequenas academias em lares, contribuindo para o exercício da atividade física rompendo com o terrível componente das grandes cidades que é o sedentarismo. A grande lição é que a qualidade de vida melhorou.

Mas o que está acontece com pessoas que adoecem, mesmo em períodos fugazes, como processos gripais, em que o corpo “perde forças”? A primeira coisa será diminuir ou parar com as atividades físicas. Ficamos desanimados temporiamente, mas rapidamente recuperamos as forças. Agora o que dizer de doentes onde doenças produzem um estado de desânimo, dores com dificuldades para movimentação como artrites, artroses e hérnias discais? Com certeza, a abolição das atividades físicas. Haverá um tempo mais prolongado para recuperação das crises dolorosas, e o doente pode ou não retomar as atividades física. Aqui a situação agrava-se!

Imaginemos num grupo de doentes crônicos, com quadros quase irreversíveis e, particularmente, onde a memória está diminuída. Com o avançar da doença não haverá compreensão em manter-se exercitando-se. Este estado prolongado de repouso leva a inúmeras situações em que pode piorar a situação física do doente. Muito frequentemente ocorrerão gravíssimas complicações como trombose de veias e embolias, especialmente a grave e, muitas vezes fatal, pulmonar. Dentre as inúmeras situações graves com perda da atividade física encontra-se a doença de Alzheimer, especialmente no estágio bem avançado.

Se manter as condições fundamentais de higiene e alimentação são difíceis, quando se acentua o quadro de inatividade, isso também deverá ser priorizado. Esse é um problema importante a ser trabalhado urgentemente.

No programa Cuidar dos Pais em Casa, algumas dicas são dadas para que vocês filhos, netos, genros, noras ou sobrinhos possam fazê-lo.

CAMINHADAS

Caminhadas dentro de casa

É verdade que o paciente com doença de Alzheimer deseja ficar mais tempo na cadeira, no sofá ou mesmo na cama. Estimulá-lo a caminhar pode ser uma tarefa difícil. Todavia, após o despertar e iniciar com os cuidados com a higiene, as necessidades fisiológicas e o desjejum, a caminhada dentro da própria casa é o primeiro passo do dia.

Sempre lembrando que caminhar em cada cômodo será muito importante. Caminhando no quarto dizendo que é seu, mostrar que tem guarda roupa e suas roupas, sua cama, seu armário, e assim sucessivamente. Se a atividade caminhar é na sala, frisar sobre o aparelho de televisão, o sofá, a mesa de centro; se na cozinha, cada item que lá se encontra deverá ser mostrado e falado. Isso trará períodos de lembranças e, ao final da “caminhada”, terá exercitado seus músculos, tendões e ossos.

Caminhada no quintal

Esta caminhada deverá ser feita, preferencialmente entre 9h e 10h, com o período de sol. Três aspectos serão obtidos nesta ação: atividade física, reconhecimento do ambiente e absorção da vitamina D. É importante “pegar sol” já que a diminuição do hormônio da vitamina D poderá agravar algumas atividades do organismo.

Caminhada no bairro

Esta atividade deverá ser feita após as 16h quando o Sol está “baixo”.

É importante a continuidade dos movimentos físicos. Se caminhar dentro da própria casa e quintal (ou área do prédio) tem sua importância, a caminhada pelo bairro, num quarteirão quadrado, assume papel fundamental, já que poderá conversar com as pessoas antigas e amigas.

Ir ao supermercado, ao banco, a farmácia, à praça, à igreja se fazem necessário, pois além de exercitar o corpo, há o estímulo da memória: um benefício a mais.

 

TRATAMENTO PELA ÁGUA

Hidroterapia

O tratamento pela água – a hidroterapia – gera um enorme benefício aos pacientes com Doença de Alzheimer. São sessões semanais, no máximo de uma hora, diariamente ou duas a três vezes.

Ganhos são enormes, pois a interação com o professor ou professora, com pessoas, também doentes, que estão na piscina, será um forte estímulo para o doente. A socialização sempre será o ponto mais importante para o doente e, é claro, tem-se a melhora dos músculos, tendões e ossos.

Natação

Muitos pacientes antes da doença tinham uma intensa atividade física: praticavam corridas, jogavam futebol, praticavam ciclismo, nadavam e, após o casamento, a criação de filhos, a profissão, mas continua na memória esta prática.

Assim como na hidroterapia, a interação com o professor ou professora, com pessoas, também doentes, que estão na piscina, será um forte estímulo para o doente – a  socialização sempre será o ponto mais importante para o doente -, além da melhora para músculos, tendões e ossos.

 

ACADEMIAS

Pilates

O Pilates é outra modalidade fantástica para qualquer pessoa, particularmente para doentes com limitação osteomuscular, sedentarismo ou perda da memória cuja noção despareceu.

O próprio criador do método, Joseph Pilates, demonstrou que esse método aplicado durante toda a sua vida proporcionou melhora da qualidade de vida.

O doente com Alzheimer terá excelente ganho com a prática do Pilates. Tal como para natação e hidroterapia, a socialização com o professor e demais alunos é um forte estímulo além da melhora para os músculos, tendões e ossos.

Afinal, cuidar bem de quem cuidou de você é a melhor maneira de demonstração de amor e gratidão.

Forte abraço

Projeto Cuidar dos Pais em Casa

Dr. Sergio Munhoz

 

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