Moradia na terceira idade

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O velho ditado diz que quem casa quer casa.

Familiares de idosos se deparam com situações que podem trazer muitas discussões e brigas entre eles: alguns querem que os pais morem consigo, outros filhos acham que morarem sozinhos é melhor opção, e até há aqueles que desejam optar por um lar de longa permanência.

Morar sozinho é um direito. O Estatuto do Idoso prevê que o idoso deve ter integridade garantida pelo Estado e receber cuidados dos familiares, mas isso não significa que a pessoa perde o direito de escolha. A situação torna-se mais crítica quando idosos adoecem, já não têm o cônjuge, e seus filhos possuem muitas atividades durante o dia e têm poucas condições financeiras.

Abaixo falaremos sobre algumas opções de moradias e suas características.

 

Opções

Comprar apartamentos separados para filhos e pais

Com o passar dos anos as grandes cidades passaram a ser lugares perigosos. Bairros que antigamente eram calmos deixaram a tranquilidade, para ceder lugar a assaltos; muitos veículos com acidentes automobilísticos e atropelamentos; calçadas inapropriadas para andar; e às vezes muito distante de hospitais, mercados e dos próprios filhos.

Uma boa opção constitui quando filhos em conjunto com pais idosos adquirem um apartamento, seja pela venda de sua antiga casa, ou nova aquisição. A maior vantagem é a segurança. Possui portaria com pessoas que selecionam quem entra ou sai. Filhos morando no mesmo edifício, mas em apartamentos separados podem ir quase que a qualquer hora verificar alimentação, administração de remédios, atividades diárias, e proporcionar aquele beijo e abraço.

Em contrapartida para alguns idosos que têm medo de altura, medo de elevador, dificuldade para subir e descer escadas quando há queda de energia pode ser problemático. Além disso há maior dificuldade para criação de animais maiores e espaço para todas as plantas e bens e recordações que foram acumulados durante a vida, os quais muitos lutam para não se desfazerem.

 

Comprar casa na mesma rua dos pais

Quando possível que os filhos passem a morar no mesmo bairro, na mesma rua que seus pais, aumenta-se a tranquilidade. Assim como morando em apartamentos do mesmo edifício, morar na mesma rua em casas separadas possui vantagens e desvantagens. O lado positivo é deixá-los na sua casinha com todos seus utensílios, animais, plantas, vizinhos.

Mas assim é necessário fazer reformas para que o ambiente se adeque às necessidades de segurança tanto interna (a fim de evitar quedas e afins, consertar vazamentos, dentre outros) quanto externa, com a construção de muros, grades e cerca elétrica, instalação de câmeras de monitoramento e contratação de vigia para as 24 horas.

 

Deixar os pais onde estão e organizar-se para dar assistência

Muitos idosos quando casam fazem financiamentos da sua casa própria. Ao passarem 20, 30 anos no local, mesmo com os filhos saindo de casa, os idosos não querem se mudar. Estão acostumados com os vizinhos e amigos. Com suas plantas no jardim. Com o comércio local.

Outras vezes heranças foram parte da aquisição de seu bem e não querem vender, alugar ou sair.

Aqui também valem os mesmos critérios de adequação citados no tópico acima “Comprar casa na mesma rua dos pais”.

 

Casas de longa click here permanência

As casas de longa permanência para idosos começam a ser uma realidade no Brasil. Antigamente eram lugares segregados, depósitos de velhos abandonados pelos familiares, escuros e sujos, sem profissionais habilitados, mas, com o estatuto do idoso, os direitos foram ampliados e aplicados por lei. Assim, estes ambientes se tornaram mais saudáveis.

Muitos pais, avós e sogros dizem que preferem ficar nestas casas onde “outros velhos” vão entendê-los. A boa companhia com outras pessoas, a assistência médica ininterrupta, a ampla terapia ocupacional e particularmente os preços acessíveis tornam tais locais boas opções.

Por outro lado, é importante enfatizar para o idoso que tal opção de moradia não representa um abandono da família, mas sim condições mais seguras e socialmente benéficas.

 

Repúblicas para idosos

Se as repúblicas há muito tempo são uma das melhores opções para estudantes de outras cidades estudarem fora, hoje as repúblicas para idosos são realidade. São casas onde há um compartilhamento das dependências.

As vantagens vão além de boas companhias, pois há economia dos gastos, a divisão de afazeres e a maior liberdade de ir e vir, tornando tal local ideal para idosos mais saudáveis e dispostos a compartilhar suas experiências.

É necessária certa flexibilidade da parte do idoso, visto que cada pessoa tem hábitos e costumes diferentes, logo a convivência demanda conversa e paciência.

 

Cuidadores

São idosos vivendo com outras pessoas dentro de seus próprios lares. Aqui o idoso terá tudo que precisa e conhece da sua casa, convivendo com profissionais experientes na condução de suas vidas. Muitas vezes passam a morar, dividir quartos e cozinha. A vantagem é a manutenção do ambiente familiar em que já se sentem seguros, no bairro em que já estão acostumados.

Obviamente os custos com cuidador podem inviabilizar tal opção, e é necessária boa vontade da parte do idoso e entendimento da necessidade de ter um cuidador.

 

Cruzeiros

Esta modalidade é comum em países europeus e asiáticos.

Chega uma fase que os filhos trabalham em outros países e um dos cônjuges falece. Com boa aposentadoria, muitos idosos fazem cruzeiros pela costa de seus países ou mesmo para outro continente, passando semanas ou meses longe de casa.

As vantagens para este tipo de “moradia”, segundo relatos dos passageiros, são amplas: cama, mesa e banho sempre limpos, alimentação 24 horas por dia, assistência médica o tempo todo, diversão diariamente, amizades aos milhares.

 

Exterior

Muitos pais optam para ficar com um dos filhos mesmo que seja aquele que possui algum tipo de trabalho e necessita ser transferido. E os acompanham cada vez que mudam, seja de cidade, de estado ou de país. Como fator há o apego aos netos, e destes aos avós.

Alguns idosos que possuíam uma vida mais calma e quase sem atividade, no exterior evoluem significativamente especialmente quanto à memória. Há inúmeros benefícios para desenvolvimento social e manutenção ativa do cérebro, como aprendizado de um novo idioma e instrumento musical, aquisição de novos amigos, mudança de hábitos alimentares, segurança, igrejas, passeios.

 

Adaptações nas moradias

Seja qual for a opção, uma coisa é certa: as moradias, sejam apartamentos ou casas para idosos, necessitarão sempre de mudanças ou adaptações. Uma casa construída há 30 ou 50 anos servia para as necessidades da época, em parte quando os filhos eram pequenos ou jovens.

– Retirar escadas e substituir por rampas: evitar quedas é o melhor investimento para segurança dos idosos;

– Os armários para guardar utensílios como pratos, panelas, talheres deverão ser mais baixos, já que no envelhecimento a coluna vertebral se achata e a pessoa diminui de tamanho;

– Trânsito livre entre os cômodos: retirar tudo que for possível como sofás, cadeiras, mesas, escrivaninhas para que os caminhos possam estar desobstruídos e evitar tropeços;

– Janelas deverão estar com boa luminosidade e luzes acesas nas áreas mais escuras.

– Banheiros deverão ser adequados, e tapetes retirados se necessário.

Abordamos este tópico como maior profundidade no artigo Prevenção de quedas em Idosos.

 

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Escolher onde e a melhor forma de se morar quando chegar a velhice não será difícil. Há muitas opções! Em todos os locais possíveis de uma moradia para idosos, o mais importante são as adaptações advindas da idade. Assim haverá segurança física – evitando quedas, por exemplo-, e preservação da saúde mental, evitando solidões e depressões.

 

Saúde

Dr. Sergio Munhoz