Mantendo as forças físicas na doença de Alzheimer

 

Pelo fato de termos ossos, somos considerados seres vertebrados. E como ossos precisam de estruturas para estarem firmes e unidas, eles são ligados aos tendões, que precisam estar presos a músculos. Portanto os conjuntos músculos-tendões-ossos são imprescindíveis para um bom funcionamento do nosso corpo.

O culto ao corpo no final do século XX e neste século veio trazer uma abordagem enaltecendo o físico e ao mesmo tempo produziu distorção na imagem de como deveríamos ser. Isso acarretou na presença de músculos hipertrofiados e fortes e sobrepuseram a moral, ética e a personalidade. De qualquer forma, o que se produziu de bom foi a criação de academias fechadas e privadas, academias públicas em praças e pequenas academias em lares, contribuindo para o exercício da atividade física rompendo com o terrível componente das grandes cidades que é o sedentarismo. A grande lição é que a qualidade de vida melhorou.

Mas o que está acontece com pessoas que adoecem, mesmo em períodos fugazes, como processos gripais, em que o corpo “perde forças”? A primeira coisa será diminuir ou parar com as atividades físicas. Ficamos desanimados temporiamente, mas rapidamente recuperamos as forças. Agora o que dizer de doentes onde doenças produzem um estado de desânimo, dores com dificuldades para movimentação como artrites, artroses e hérnias discais? Com certeza, a abolição das atividades físicas. Haverá um tempo mais prolongado para recuperação das crises dolorosas, e o doente pode ou não retomar as atividades física. Aqui a situação agrava-se!

Imaginemos num grupo de doentes crônicos, com quadros quase irreversíveis e, particularmente, onde a memória está diminuída. Com o avançar da doença não haverá compreensão em manter-se exercitando-se. Este estado prolongado de repouso leva a inúmeras situações em que pode piorar a situação física do doente. Muito frequentemente ocorrerão gravíssimas complicações como trombose de veias e embolias, especialmente a grave e, muitas vezes fatal, pulmonar. Dentre as inúmeras situações graves com perda da atividade física encontra-se a doença de Alzheimer, especialmente no estágio bem avançado.

Se manter as condições fundamentais de higiene e alimentação são difíceis, quando se acentua o quadro de inatividade, isso também deverá ser priorizado. Esse é um problema importante a ser trabalhado urgentemente.

No programa Cuidar dos Pais em Casa, algumas dicas são dadas para que vocês filhos, netos, genros, noras ou sobrinhos possam fazê-lo.

CAMINHADAS

Caminhadas dentro de casa

É verdade que o paciente com doença de Alzheimer deseja ficar mais tempo na cadeira, no sofá ou mesmo na cama. Estimulá-lo a caminhar pode ser uma tarefa difícil. Todavia, após o despertar e iniciar com os cuidados com a higiene, as necessidades fisiológicas e o desjejum, a caminhada dentro da própria casa é o primeiro passo do dia.

Sempre lembrando que caminhar em cada cômodo será muito importante. Caminhando no quarto dizendo que é seu, mostrar que tem guarda roupa e click here suas roupas, sua cama, seu armário, e assim sucessivamente. Se a atividade caminhar é na sala, frisar sobre o aparelho de televisão, o sofá, a mesa de centro; se na cozinha, cada item que lá se encontra deverá ser mostrado e falado. Isso trará períodos de lembranças e, ao final da “caminhada”, terá exercitado seus músculos, tendões e ossos.

Caminhada no quintal

Esta caminhada deverá ser feita, preferencialmente entre 9h e 10h, com o período de sol. Três aspectos serão obtidos nesta ação: atividade física, reconhecimento do ambiente e absorção da vitamina D. É importante “pegar sol” já que a diminuição do hormônio da vitamina D poderá agravar algumas atividades do organismo.

Caminhada no bairro

Esta atividade deverá ser feita após as 16h quando o Sol está “baixo”.

É importante a continuidade dos movimentos físicos. Se caminhar dentro da própria casa e quintal (ou área do prédio) tem sua importância, a caminhada pelo bairro, num quarteirão quadrado, assume papel fundamental, já que poderá conversar com as pessoas antigas e amigas.

Ir ao supermercado, ao banco, a farmácia, à praça, à igreja se fazem necessário, pois além de exercitar o corpo, há o estímulo da memória: um benefício a mais.

 

TRATAMENTO PELA ÁGUA

Hidroterapia

O tratamento pela água – a hidroterapia – gera um enorme benefício aos pacientes com Doença de Alzheimer. São sessões semanais, no máximo de uma hora, diariamente ou duas a três vezes.

Ganhos são enormes, pois a interação com o professor ou professora, com pessoas, também doentes, que estão na piscina, será um forte estímulo para o doente. A socialização sempre será o ponto mais importante para o doente e, é claro, tem-se a melhora dos músculos, tendões e ossos.

Natação

Muitos pacientes antes da doença tinham uma intensa atividade física: praticavam corridas, jogavam futebol, praticavam ciclismo, nadavam e, após o casamento, a criação de filhos, a profissão, mas continua na memória esta prática.

Assim como na hidroterapia, a interação com o professor ou professora, com pessoas, também doentes, que estão na piscina, será um forte estímulo para o doente – a  socialização sempre será o ponto mais importante para o doente -, além da melhora para músculos, tendões e ossos.

 

ACADEMIAS

Pilates

O Pilates é outra modalidade fantástica para qualquer pessoa, particularmente para doentes com limitação osteomuscular, sedentarismo ou perda da memória cuja noção despareceu.

O próprio criador do método, Joseph Pilates, demonstrou que esse método aplicado durante toda a sua vida proporcionou melhora da qualidade de vida.

O doente com Alzheimer terá excelente ganho com a prática do Pilates. Tal como para natação e hidroterapia, a socialização com o professor e demais alunos é um forte estímulo além da melhora para os músculos, tendões e ossos.

Afinal, cuidar bem de quem cuidou de você é a melhor maneira de demonstração de amor e gratidão.

Forte abraço

Projeto Cuidar dos Pais em Casa

Dr. Sergio Munhoz