Infecção urinária no idoso

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A infecção urinária ocorre em todas as idades, desde crianças até idosos – passando por adolescentes, adultos e grávidas. Um em cada cinco idosos tem infecção urinária alta, ou seja, nos rins, e esse número dobra após os 80 anos.  Impedir que a contaminação atinja os rins é crucial para evitar um problema de saúde mais grave.

Fatores de risco

O maior risco de infecção urinária é a partir dos 65 anos: 10% dos homens e 20% das mulheres apresentam o problema. A imunidade mais baixa, doenças crônicas e outros problemas que aparecem com a idade, como diabetes, demência, aumento da próstata e atrofia vaginal, podem favorecer contaminações por bactérias, que muitas vezes, aparecem sem sintomas claros, como a febre. O risco é que elas se transformem numa infecção generalizada podendo ameaçar a vida do paciente.

Infecção urinária baixa e alta

A infecção urinária baixa, também conhecida como cistite, só produz sintomas relacionados ao trato urinário, urina com forte odor e sangue, dor e dificuldade para urinar. Depois de começar na bexiga, a infecção pode subir pelo ureter até atingir os rins e ocasionar a infecção urinária alta – pielonefrite. Neste caso, os sintomas são dor, mal-estar, vômitos e, no estágio mais grave, febre. Qualquer cistite pode levar à pielonefrite, mas, em 80% a 90% dos casos, a infecção urinária alta é provocada por uma bactéria presente no trato intestinal, a E.coli (Escherichia coli), que tem predileção pelo revestimento da bexiga.

Causas

O agente bacteriano mais comum nas é a E. coli em 90% dos casos. Outras bactérias com maior freqüência nos idosos são: Proteus, Klebisiella, Enterobacter cloacal, Citrobacter fecundii, Providenciae stuantii e Pseudomonas aeruginosa. Entre os organismos gram-positivos, os estafilococos, enterococos e o estreptococo grupo B são os mais frequentes.

 

Riscos em idosos
Mulheres

As mulheres jovens são mais propensas a ter infecção porque têm o canal urinário mais curto e próximo do ânus, o que favorece a contaminação por microrganismos. Já nas mulheres idosas esse risco se eleva com a diminuição da produção de estrogênio, que causa, entre outras alterações, o ressecamento e a inflamação das paredes vaginais, que podem levar à atrofia vaginal.

As relações sexuais também são um fator de risco. Tanto que a “cistite da lua de mel” é a infecção urinária que pode acontecer depois da relação sexual, já que o pênis pode ajudar a levar bactérias para dentro da vagina.

Uso de Fraldas

Os idosos, devido à incontinência urinária, precisam usar as fraldas geriátricas com frequência. A fralda é abafada, úmida (se tiver com urina), criando um ambiente favorável para o aumento das bactérias na região vaginal. Além disso, o idoso tem mais predisposição ao problema já que a imunidade pode estar mais baixa com o avanço da idade.

Outros maus hábitos como beber pouca água, sentir vontade de urinar e não ir ao banheiro e falta de cuidados com a higiene pessoal também contribuem para o problema.

Homens

No homem idoso, a causa principal é devido ao aumento da próstata, dificultando o esvaziamento da bexiga e causando infecções. Por conta desses fatores, nos idosos, a infecção pode tomar conta do corpo sem febre ou alterações na urina com odor, sangue ou pus, mas podem aparecer alterações sensoriais e mentais inespecíficas.

 

Prevenção

Se você já teve uma crise de infecção urinária, duas medidas simples podem ajudar: beba bastante água diariamente e não deixe de ir ao banheiro quando sentir vontade de urinar.

Procure, sempre que for ao banheiro, limpar a região do períneo com o papel higiênico no sentido da frente para trás. Do contrário, poderá trazer as bactérias que estão na região intestinal para dentro da vagina, causando a infecção da mesma forma. O sentido da ducha também é sempre de cima para baixo.

Urinar logo depois da relação sexual também pode ajudar aquelas pacientes com cistite de repetição. O xixi lava a uretra ajudando a eliminar bactérias que possam ter entrado durante o ato.

Portanto para evitar esse quadro, o ideal é realizar controles periódicos e adotar algumas medidas preventivas, como redobrar os cuidados com a higiene, beber água suficiente para ir ao banheiro de 6 a 7 vezes por dia, ir ao banheiro sempre que sentir vontade de urinar e conferir o aspecto da urina — quando ela está saudável, deve ser amarela clara, quase transparente, sem espuma ou cheiro muito forte.

Mulheres

Para as mulheres, pode ser indicada a reposição hormonal com estrógeno click here para o tratamento tópico da infecção urinária.

Homens

Já os homens devem realizar exames de sangue e de toque retal para verificar se a causa da dificuldade de urinar é o aumento da próstata.

 

Complicações

Entre as causas de confusão mental que não são relacionadas com problemas neurológicos estão: infarto do miocárdio, hipoglicemia e hiperglicemia, uso de corticoides, insuficiência hepática, insuficiência renal e autoimunidade e infecções, especialmente infecção urinária. As confusões desaparecem logo que estes problemas são tratados.

Os idosos muitas vezes não têm os sintomas clássicos da infecção urinária e a família precisa ficar atenta pois muitas das vezes, ficam mais sonolentos, mais agitados. Isso é indício de infecção.

 

Diagnóstico

Quando a paciente tem infecção urinária, o primeiro passo antes de tratar é reconhecer qual é a bactéria responsável pelo problema. Colher uma cultura de urina é fundamental.

Caso seja a primeira vez que a paciente faz a queixa dos sintomas da infecção urinária, o ideal é que um exame de imagem também esteja associado para o diagnóstico com cálculo renal, que pode ser uma possibilidade. O cálculo obstrui a urina que já está infectada com as bactérias. Quem toma remédio por conta própria pode, dessa maneira, ao invés de se livrar logo das dores ao urinar, fortalecer uma bactéria que não deveria permanecer no organismo.

Caso o paciente esteja em estado crítico, onde seja observada a possibilidade da doença evoluir para uma infecção generalizada, com falência de órgãos, medidas drásticas como suporte da respiração e do coração poderão ser tomadas.

 

Tratamento

Nas infecções urinárias não complicadas, algumas questões devem ser definidas: quem necessita de tratamento com antibióticos? Naqueles com indicação terapêutica – quais agentes antimicrobianos devem ser empregados e qual a duração do tratamento?  Que medidas clínicas, além de antibióticos, podem ter utilidade?  E quais as orientações higieno-dietéticas?

Como norma geral, pacientes idosos com bacteriúria assintomática não devem ser tratados com antibióticos, pois existe o risco desnecessário de seleção de bactérias mais resistentes, da interação e reação alérgica às drogas, além dos custos do tratamento. Aumento de hidratação e deambulação dos enfermos é recomendável. Essa regra não deve ser seguida em algumas situações, como nos casos de obstruções do trato urinário, quando houver necessidade de procedimento invasivo e em doenças com potencial de interferir com a resposta orgânica, como o diabete não compensado.

 

Perguntas frequentes
Segurar o xixi pode causar infecção urinária?

Segurar o xixi não vai causar esse problema. Porém, quem bebe pouco líquido e deixa para urinar quando a bexiga está extremamente cheia – períodos que podem chegar a até 6 horas – pode dar mais chance para a bactéria alcançar a bexiga e se instalar, originando a infecção. Desse modo, a infecção não está associada a segurar o xixi, mas sim a ingerir pouco líquido, pois quem bebe muito não consegue aguentar períodos tão longos sem ir ao banheiro.

Levantar várias vezes durante a noite para fazer xixi é normal?

Não. É considerado dentro da normalidade, no máximo, 8 idas ao banheiro em 24 horas. Mas, em média, uma pessoa urina 1,5 L por dia e, especificamente à noite, há uma menor produção por conta da liberação do hormônio antidiurético. É comum ir uma vez ao banheiro no período noturno. Passando desse número, é possível que seja algum problema, como produção maior de urina ou bexiga de pequena capacidade.

Por que algumas pessoas sentem vontade de fazer xixi com muita frequência?

Pessoas que ingerem muito líquido vão mais vezes ao banheiro. O que não é comum é ir com muita frequência ao banheiro sem ter a ingestão de líquido aumentada. Nesta situação, é possível que a bexiga tenha pequena capacidade.

Fazer xixi antes de sair de casa para esvaziar a bexiga, “por precaução”, pode evitar complicações?

Sim. Infelizmente, ninguém está livre de incidentes ou acidentes. E uma bexiga cheia corre o risco de ruptura. Piora ainda no sexo masculino, onde trauma uretral pode deixar impossibilitado por meses devido à realização de reparos cirúrgicos.

Beber água o dia inteiro é realmente bom para a saúde?

Algumas pessoas realmente precisam beber mais líquido, por exemplo, quem tem formação de cálculo renal ou faz uso de medicamentos, pois o hábito dilui a urina e evita a formação de pedra. Por outro lado, quem tem insuficiência cardíaca deve evitar quantidades elevadas. Já quem não tem nenhum problema de saúde não precisa beber água além da quantia padrão recomendada.

A melhor maneira de saber se está tomando a quantidade de líquido adequada é olhar o xixi. Se estiver muito concentrado, significa que está com pouco líquido no corpo e então é necessário beber mais. O ideal é que a urina esteja em um tom amarelo claro.

Beber água realmente previne pedra no rim ou quem tem predisposição terá de qualquer jeito?

A formação de cálculo renal está associada ao componente hereditário e constitucional da própria pessoa. Quando se bebe mais líquido, a urina fica mais diluída, evitando assim, a formação de cálculo renal. No caso de quem já tem a pedra, o hábito de ingerir líquido também é indicado a fim de evitar o crescimento do cálculo já existente. Porém, mesmo bebendo líquido, a predisposição genética aumenta a chance de desenvolver o problema.

Como prevenir a infecção urinária?

A infecção urinária não tem fatores muito fáceis de prevenção.  Entre esses fatores estão a anatomia da uretra, o canal da urina e a distância desse canal com o ânus. De qualquer forma sempre se recomenda a ingestão de líquidos e boa higiene.

 

Saúde

Dr. Sergio Munhoz