Depressão na terceira idade – O que é? Quais os cuidados necessários?

A depressão é uma doença persistente e devastadora, que não tem idade específica – atinge pessoas de todos os tipos, condições sociais e faixas etárias. Contudo, entre idosos, a depressão possui aspectos bem específicos e pontuais, nem sempre identificáveis pela família. Saiba mais como ocorre a depressão na terceira idade, quais são seus gatilhos, quais os tratamentos e terapias e como a família tem um papel essencial na qualidade de vida e cura das pessoas idosas acometidas por depressão.

 

O que é depressão?

 

Antes de entendermos como ocorre a depressão entre idosos, vamos entender um pouco melhor o que é depressão, de modo mais geral. A depressão muitas vezes é confundida com outros problemas de saúde e até com “frescura”, “é alguém tentando chamar a atenção” ou coisa do tipo. Isso ocorre por falta de conhecimento. O primeiro passo para entender a depressão é desmitificá-la.

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A depressão, para quem ainda não sabe, é uma doença, um distúrbio afetivo, que acompanha a humanidade ao longo de sua história, mas que parece que se tornou ainda mais evidente nos últimos tempos. Entre seus sintomas, há a presença de tristeza, pessimismo, baixa autoestima, entre outros, que veremos mais adiante, que aparecem com frequência e podem combinar-se entre si. Pode ter duração de curtos períodos e ocorrer uma melhora ou pode ser crônica – em que a pessoa pode ter a doença por anos. Requer acompanhamento médico, tanto para o diagnóstico quanto para o tratamento mais adequado.

 

Estudos comprovam que as pessoas que são acometidas por depressão passam por alterações químicas no cérebro, principalmente com relação aos neurotransmissores (por exemplo, serotonina, noradrenalina e, em menor proporção, dopamina), substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células.

 

Ainda não se sabe muito bem quais são as reais causas da depressão. Acredita-se que as causas podem ser motivadas por distúrbios químicos no corpo, por questões sociais e fatores psicológicos. Mas os especialistas acreditam ainda que os indícios sócio-psíquicos são na verdade sintomas e não causas. Fatores como estresse contínuo e questões genéticas podem desencadear o problema. Acredita-se que 19% de todas as pessoas do mundo sofram ou já sofreram com depressão – ou seja, uma pessoa em cada cinco.

 

Sintomas gerais da depressão

 

São sintomas mais gerais da depressão:

 

  • Ironia, humor depressivo ou irritabilidade, ansiedade e angústia.
  • Falta de energia e cansaço extremos ao realizar tarefas cotidianas.
  • Desânimo frequente.
  • Incapacidade de sentir alegria e prazer em atividades anteriormente consideradas agradáveis.
  • Sentimento de culpa ou até mesmo vazio – a rotina parece não fazer sentido.
  • Desinteresse por tudo, falta de motivação e apatia.
  • Falta de vontade e iniciativa.
  • Indecisão.
  • Medo frequente e inexplicável.
  • Sensação de insegurança.
  • Desesperança constante.
  • Baixa autoestima.
  • Sentimento de ruína e inutilidade.
  • Medo da morte ou de doenças.
  • Pensamentos frequentes sobre a morte.
  • Visão destorcida da realidade.
  • Dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e esquecimento.
  • Falta de desejo ou diminuição do desempenho sexual.
  • Perda ou aumento do apetite e do peso
  • Insônia ou aumento excessivo de sono.
  • Dores e outros sintomas físicos não justificados por problemas médicos – cólicas, dores de barriga, dores musculares, má digestão, azia, diarreia, constipação, flatulência, tensão na nuca e nos ombros, dor de cabeça, falta de ar, etc.

 

Estes sintomas podem estar associados uns aos outros e até mesmo outros sintomas podem ser possíveis, dependendo do caso. O quadro de depressão é único para cada pessoa e deve ser analisado a partir das suas especificidades por um médico ou terapeuta.

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Depressão entre idosos

 

O número de casos de depressão entre idosos aumentou bastante nos últimos anos. Contudo, a população idosa também tem aumentado consideravelmente – veja nesta matéria um pouco mais sobre o envelhecimento da população brasileira. No Brasil havia cerca de 10 milhões em 1990; esse número deve chegar a 15 milhões no ano 2000 e 34 milhões em 2025.

 

A incidência de doenças comuns desta idade também aumentou. Mas devemos ressaltar que entre as doenças mentais mais comum entre as pessoas da terceira idade está a depressão – os estudos científicos indicam que 15% dos idosos sofrem com a doença – uma perspectiva bem alta. Destes, apenas 2% têm níveis severos de depressão.

 

Muitas vezes os familiares não conseguem discernir entre uma tristeza passageira ou outro mal qualquer e um quadro de depressão. Se o idoso apresentar tristeza profunda e constante, alteração de humor de modo visível, isolamento, desinteresse, apatia, incapacidade de sentir prazer e alegria, falta de apetite, desânimo e interesse – inclusive pela rotina diária e pelos assuntos da família ou sobre si mesmo, é hora de ficar em alerta e buscar saber o que está acontecendo.

 

Há ainda outros sintomas, como reclamações constantes de fadiga e dores musculares, não querer fazer atividades físicas nunca, falar a todo momento sobre seus pensamentos ruins, culpa e sentimentos de inutilidade, solidão e descrever que não possui esperança quanto ao futuro. Em alguns casos mais graves, podem demonstrar interesse por suicídio.

 

Mesmo que as causas da depressão ainda sejam um mistério para a ciência e que são os fatores biológicos, psicológicos e sociais que podem desencadear a doença, quando uma pessoa chega à terceira idade, pode se deparar com um tipo de condição de vida a que não está acostumada – como ter que depender de outros adultos para determinadas tarefas, inclusive atividades íntimas – como higiene pessoal, por exemplo – ter limitações físicas ou mentais, perda da potência sexual, a perda de conhecidos e entes queridos, etc.

 

A velhice não chega da noite para o dia: é uma fase progressiva e o indivíduo tem tempo para se adaptar e mudar a sua perspectiva de vida. A velhice, contudo, não é sinônimo de depressão – como dissemos, há fatores genéticos, fisiológicos, psicológicos e mentais que impactam no surgimento da click here doença. Também não é “normal” ter depressão quando se fica velho – como muitas pessoas pensam. É uma doença e não é normal em qualquer fase da vida. Há uma mudança química significativa no cérebro.

 

Esta condição nem sempre é fácil de se perceber entre os idosos. A doença pode ter desdobramentos que camuflam os sintomas e ainda esbarra no preconceito e desconhecimento por grande parte da população. É importante que o idoso seja observado e tenha o tratamento adequado quando houver suspeitas da doença. Apenas um especialista pode dizer se o caso é ou não depressão. Caso a família perceba os sintomas descritos acima por mais de algumas semanas, deve levar o seu parente idoso a uma consulta em um psiquiatra.

 

Terapias e tratamentos

 

Como dissemos antes, apenas um especialista pode dizer se o caso é ou não depressão. Ele deve fazer uma análise profunda e descartar a existência de outras doenças mentais, como demência recorrente de alguma doença degenerativa. Muitos familiares confundem os sintomas, que dependendo do caso, podem ser parecidos.

 

O tratamento pode ou não envolver medicamentos, bem como é multidisciplinar – envolve psicoterapias, terapias ocupacionais, exames em outras áreas médicas, alimentação adequada, etc. É preciso ainda que a família e o próprio idoso tenham clareza de que o tratamento é essencial para a cura e que não há problema nenhum em ir ao psiquiatra – doença mental é doença da mesma forma como outra – como hipertensão ou diabetes, por exemplo. Não é preciso ter vergonha em ser acometido por uma doença mental. Há muito constrangimento quando se fala em problemas desta natureza.

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Muitos especialistas afirmam ainda que a depressão, assim como qualquer outra doença, é mais complexa conforme o avanço da idade. Contudo, o seu tratamento e as suas soluções têm sofrido avanços significativos nos últimos anos. Hoje temos à disposição medicamentos antidepressivos, que atuam nos neurotransmissores permitem uma recuperação do equilíbrio químico do cérebro, atenuando os sintomas da depressão. A recuperação pode estar restrita a apenas algumas semanas, e o apoio dos familiares é também fundamental. A psicoterapia é essencial neste caso, pois permite uma complementação do tratamento medicamentoso, propiciando a recuperação da qualidade de vida do idoso.

 

O poder da família e a cura

 

A depressão pode também ser prevenida. Só porque a pessoa chegou a terceira idade não deve ser privada de seus afazeres ou deva se isolar em casa – isso ocorre muito frequentemente e pode desencadear quadros depressivos. É importante que o idoso faça atividades físicas – elas melhoram as condições físicas e químicas do organismo – ter uma alimentação adequada, interaja com seus familiares e amigos, tenha compromissos e atividades prazerosas e mantenha o diálogo ativo.

 

Mesmo com limitações físicas, é possível levar uma vida satisfatória, bastando apenas algumas adaptações. Por outro lado, mesmo entre idosos ativos a doença pode ocorrer. Em todos os casos, cabe à família estar atenta aos sintomas e dar acesso para que o idoso tenha o tratamento adequado.

 

Sempre falamos aqui no blog do Cuidar dos pais em casa que há muitos benefícios em manter o idoso dentro do núcleo familiar e proporcionar os cuidados necessários nesta fase da sua vida. Família é uma instituição composta por pessoas consanguíneas ou não, de diferentes gerações. Cuidar dos parentes idosos em casa é uma proposta humanizada de atenção às pessoas que precisam ou não de necessidades e cuidados especiais por conta do avanço da idade. A depressão é só mais uma das diversas doenças que uma pessoa pode desenvolver e a família é muito importante não apenas na detecção do problema e oferta de tratamentos, como também nos processos de cura.

 

Como cada caso é um caso, converse com o médico do seu parente idoso e busquem soluções de todos os tipos para melhorar o tratamento contra a depressão: há terapias ocupacionais, grupos de apoio, grupos de idosos, tratamentos mais ortodoxos e medicamentosos, etc. Somente o médico poderá indicar medicamentos, se este for o caso, e seus efeitos colaterais devem ser muito bem analisados na terceira idade. A família deve estar preparada para apoiar e ter paciência nos momentos difíceis. É importante ajudar o idoso atuando nos aspectos que mais ficam comprometidos com a depressão – como é o caso da autoestima, por exemplo.

 

É comum em caso de depressão o paciente querer falar sobre o problema – suas causas e consequências. No começo pode até haver resistência, mas falar sobre a doença é muito importante. Desta forma, não cabe a ninguém julgá-lo, e sim saber ouvir com atenção e carinho, colocando-se no lugar do doente, que muitas vezes precisa encontrar saídas e resoluções para as suas emoções e pensamentos. É comum os idosos reclamarem que são ignorados e não são ouvidos.

 

Você pode ainda buscar mais informações no site da ABRATA – Associação Brasileira de familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos e no site da Sociedade Brasileira de Psicologia, que possuem várias informações sobre a doença e seus tratamentos. Vale a pena conferir!

 

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O que achou deste artigo? Tem um idoso em casa com depressão? Quais são as suas dicas pessoais? Deixe um comentário!