Cuidados essenciais de nutrição com pacientes acometidos pela doença de Alzheimer

 

Quando somos bebês, a alimentação consiste em fator essencial. É cuidadosamente administrada pelas nossas mães: tipos, quantidades e horários deverão ser obedecidos, já que distorções destes poderão produzir intensas disfunções, passando pela desidratação e desnutrição.

Durante o nosso crescimento ocorrem mudanças importantes e adaptações. Quando envelhecemos, muitas são as alterações fisiológicas, como perda de dentes, disfunção no olfato, do paladar e rejeição a muitos alimentos, chegando a ocorrer em alguns idosos sérios graus de desnutrição, implantação de doenças graves e alguns quadros chegando a morte.

Em se tratando de doentes com doença de Alzheimer, o quadro alimentar é de fundamental importância a ser adaptado e deve ser seguido rigorosamente, pois o fato da diminuição ou perda total da memória dificulta aos doentes manterem o grau de nutrição adequado.

Tipos de alimentos

A boa nutrição é importante para a saúde geral e também para o funcionamento cerebral. Uma alimentação saudável é muito importante para o bem-estar, a disposição física e até para a cognição.

Ao contrário de algumas doenças, especialmente a hipertensão arterial sistêmica e diabete mellitus tipo 2, onde há restrição de alimentos, para o paciente com doença de Alzheimer não há restrição: apenas devem ser feitos ajustes, de forma individualizada, em doentes com grau mais avançado.

São, assim, comuns queixas envolvendo alteração no apetite e pode ocorrer perda de peso ou fome exagerada. A monitorização do cuidador e da família deverá ser seguida com atenção.

Verduras, legumes e frutas

As verduras são o que existe de melhor para uma alimentação saudável.
Delas se extraem vitaminas e sais minerais, e ainda servem como fibras para melhor digestão e funcionamento intestinal. Infelizmente, quando crianças alguns tem dificuldades para sua ingestão, e isso às vezes continua na idade adulta. Quando idosos, ocorre a diminuição do metabolismo, ou seja, da energia para o dia a dia, o que piora quando o doente fica sentado e acamado.

Há várias formas de fazer com que o idoso ingira adequadamente seu alimento, que pode ser na forma de caldos, sopas, cremes, bolos, etc.

Legumes também constituem importante grupo de alimentos para todas as pessoas. Cenouras, batatas, couve flor, brócolis deverão ser colocados na dieta daqueles com doença de Alzheimer. E o interessante é que são de diversas cores, o que possui significado para o paciente.

As frutas completam o quadro de alimentos essenciais na administração da dieta. Elas possuem açúcares naturais, indispensáveis para manutenção da energia do corpo, de sabores diversos, e quantidades adequadas de vitaminas.

Arroz, feijão, lentilha, grão de bico, aveia

Arroz e feijão são alimentos indispensáveis a quaisquer pessoas, especialmente nos costumes dos brasileiros. De modo geral, os grãos como lentilha, grão de bico e aveia devem fazer parte da dieta de doentes com Alzheimer.

Sempre administrado em quantidades adequadas e nos horários programados.

Temperatura

É importante o cuidador que, no momento da administração dos líquidos e dos click here alimentos, verifique a temperatura deles, já que alimentos muito frios poderão ser recusados, assim como os quentes poderão queimar a língua e consequentemente o doente pode ficar dias sem se alimentar.

Dica: utilize prato térmico para evitar que a comida fique fria enquanto o paciente está se alimentando, visto que o processo poderá ser lento e demorado.

Perda de Peso

Muito importante a observação em pacientes com doença de Alzheimer a perda de peso. Associada normalmente a três quesitos básicos: dificuldades cognitivas, físicas e alterações no apetite. Assim, deve-se acompanhar quinzenalmente o peso do paciente, seja quando sair para consultas médicas e odontológicas, compra de medicamentos, pesando-o ou comprando uma balança em sua casa. Sempre será mais difícil reverter um quadro de desnutrição do que fazer a prevenção da perda de peso.

Percebemos que mesmo no nosso dia a dia as pessoas não gostam de pesar-se, seja por “medo” de saberem quanto estão acima do peso ideal ou mesmo por não darem importância.

Em doentes com Alzheimer o cuidador, contratado ou familiar, deverá saber quanto está o peso. Encontrando valores 5% abaixo do peso anterior, a atenção deverá ser total, comunicando ao médico ou nutricionista para as adequações necessárias.

 

Dicas para evitar perda de apetite: Cores

Se quando nossos filhos são pequenos utilizamos várias cores para prender a atenção deles, nos doentes com Alzheimer são fundamentais. Pratos de cores azuis, colheres vermelhas, copos amarelos, lenços ou guardanapos com cor verde são muito empregado para estimular os pacientes. Quanto a alimentos, também deverão ter diversas cores. Naturalmente as frutas como laranjas, mangas, abacaxi e abacate, e legumes como cenoura, tomate e beterraba chamam a atenção para uma boa refeição.

Alimentos que possam ter contato com as mãos são mais fáceis de serem administrados e agradáveis.

 

Líquidos

Todo ser humano possui uma quantidade de água no seu organismo: de 60 a 65% do peso. Em recém-nascidos e bebês a quantidade é bem maior que em adolescentes, jovens, adultos e idosos. Em se tratando de idosos, a quantidade no corpo humano cai drasticamente, particularmente na mulher, e obesa, chegando a menos do 50% do peso.

Doentes com Alzheimer em sua maioria são pessoas acima de sessenta anos, do sexo feminino e que estão acima do peso, e com um fator agravante: com perda da memória e com dificuldades em manter-se hidratado.

Por isso, atenção máxima à ingestão de líquidos. Periodicamente, durante o dia, água, chás e sucos devem ser administrados.

Copos com cores variadas e numerados e marcados com quantidade em mililitros (ml) facilitam a totalização ao final do dia de quanto foi administrado. Em períodos mais quentes, deve-se aumentar a ingestão, mesmo com a recusa dos pacientes.

Afinal a diversificação será um fator estimulante para cuidar com esmero e dedicação do seu ente querido.

Forte abraço

Projeto cuidar dos pais em casa

Dr. Sergio Munhoz