Como cuidar de idosos com demência

Há muitas doenças degenerativas que causam demência e muitas delas estão associadas com a condição da velhice – um exemplo é a Doença de Alzheimer, que já vimos aqui no blog – acesse o link e confira! Mas obviamente há pessoas que nascem com alguma limitação mental ou neurológica ou que a desenvolve antes da terceira idade, chegando à velhice com a dependência de que outra pessoa tenha o cuidado, o carinho e a preocupação de atender às suas necessidades de modo digno.

 

É importante, em primeiro lugar, conhecer bem a condição do idoso com demência: muitas vezes ele pode não saber se comunicar com eficiência, pode possuir restrições motoras ou fisiológicas (como é o caso daqueles que requerem fraudas adultas ou outros acessórios para a incontinência), não sabem lidar com as emoções e com a agressividade ou possuem restrição de memória (como é o caso dos pacientes de Doença de Alzheimer, por exemplo). É importante conhecer a fundo o comportamento do idoso com demência para poder oferecer o melhor acompanhamento possível.

 

No caso das famílias que cuidam de pais ou parentes idosos com demência em casa, reconhecer os rejeitos e o comportamento do idoso é um pouco mais fácil devido ao tempo de convivência. Quando a demência ocorre através de uma doença degenerativa, mesmo assim, o caso não é súbito e dá para reconhecer aspectos que antes o idoso não possuía.

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Nem sempre é fácil cuidar de outro adulto, ainda mais idoso e com necessidades especiais quanto à sua saúde mental. Mas saiba que há técnicas e métodos que tornam as atividades e a própria rotina mais leves, como veremos a seguir.

 

Cuidados especiais com o idoso com demência

 

Já falamos aqui no blog que a população brasileira tem envelhecido com muita rapidez, e com o aumento de idosos, surgem novos casos de doenças degenerativas que causam restrições cognitivas. Além disso, as pessoas acometidas por demência em outras fases da vida também envelhecer e irão precisar de cuidados especiais. Em 2050, teremos 22% de idosos na população mundial – uma parcela destes com doenças degenerativas com demência como aspecto.

 

Mas afinal o que é demência? Pelo dicionário, temos o termo como sendo sinônimo de “perda de origem orgânica, frequentemente de modo progressivo, sobretudo da memória, mas que também compromete o pensamento, o julgamento e/ou a capacidade de adaptação a situações sociais. Pessoa com comportamento inusual que aparenta ou sugere loucura; insensatez”. A demência é uma consequência de doenças degenerativas ou de mudanças em sua fisiologia. Pode ainda ser uma consequência de problemas genéticos que acometem o indivíduo desde o seu nascimento ou são desencadeados em algum momento da sua vida. Enfim, muitas situações e doenças podem levar a algum tipo de limitação mental.

 

Com o crescimento da população idosa, houve ainda um aumento das doenças degenerativas com demência. Vale ressaltar que o termo degenerativo refere-se à perda do funcionamento adequado de um determinado órgão, não estando relacionada à infecção, inflamação ou tumor. Neste caso, quando há demência, o cérebro é o órgão que deixa de funcionar adequadamente.

 

Entre os aspectos das doenças degenerativas que envolvem também a demência estão outros sintomas, como perda de memória; dificuldade para executar atividades da vida diária – como administrar dinheiro, dirigir ou comer; problemas de comunicação; além de ter alterações no comportamento, como insônia, irritabilidade e agressividade. Entre as doenças degenerativas, a Doença de Alzheimer e a demência vascular são as demências existentes mais comuns.

 

Tratamento para a demência

 

Atualmente, o tratamento para a demência não busca a cura da doença, e sim retardar a sua progressão – e o papel do cuidador e da família faz toda a diferença. Por exemplo, se o idoso com demência tem dificuldade de se vestir sozinho, mas que ainda consegue andar por conta própria, os esforços são no sentido de manter a capacidade de caminhar sozinho pelo maior tempo possível. Se a fala e a expressão oral ainda ocorrem, mesmo que com dificuldade, o foco deve ser o estímulo deste recurso que o idoso com demência ainda possui. O que não pode ser realizado ou tratado, deve ser apoiado e depende muito do cuidador.

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Técnicas para atender o idoso com demência

 

Vejamos a seguir como lidar e manter o convívio em casa com um idoso com demência com algumas técnicas assertivas:

 

Amplie o modo de se comunicar

 

Quando a comunicação ainda existe, pode ser que o idoso com demência tenha dificuldade de lembrar nomes de pessoas e click here de objetos, e pouco irá compreender o que você está falando. É comum esquecer e trocar palavras antes usuais, e também falar coisas sem sentido.

 

Tenha paciência e saiba que a comunicação e o esforço dependerão mais de você do que dele. Utilize frases curtas e simples, e dê tempo para que ele entenda o que foi dito. Repita se necessário e reforce a informação. Utilize outras expressões se não for compreendido. Mantenha sempre um tom de voz calmo e acessível.

 

Estabeleça rotinas

 

Rotinas são essenciais para quem cuida de um idoso com demência. Elas facilitam o seu cuidado e reforçam o atendimento com o idoso. O paciente, com a evolução da demência, se torna mais inseguro. Isso evita ainda a confusão mental.

 

Crie rotinas, de modo que as tarefas – como higiene pessoal e alimentação – sejam realizadas sempre no mesmo horário. Reduza as opções na hora de se vestir ou de comer, separando sempre aquilo que já é de agrado do idoso.

 

Estimule a autonomia do idoso com demência

 

É muito importante fazer as atividades com o idoso e não para o idoso, sempre que possível. Isso ajuda a fortalecer o entendimento e na interação com o mundo. O foco não deve ser nas suas limitações, mas na autonomia do idoso com demência, para que ele continue ativo. É claro que o cuidador e a família devem esmerar pela segurança e conforto do idoso nestas condições, mas devem também estimular a sua independência e liberdade. Ele se sentirá capaz e integrado.

 

Esteja atento com a segurança

 

Sabe-se que em muitos casos há a diminuição da acuidade visual e auditiva, somado a instabilidade da marcha presente no idoso, e por isso, é essencial tomar alguns cuidados para evitar quedas e estimular a independência. Além disso, é importante não deixá-lo sozinho e com o risco de sair sem ser detectado.

 

Desta forma, é importante:

 

  • Retirar os tapetes e excesso de mobiliário da casa, pois eles são uma armadilha para causar queda em idosos.
  • Coloque piso antiderrapante e barras de segurança no banheiro.
  • Objetos perigosos devem ser removidos ou guardados.
  • Não deixar o idoso com demência em locais escuros ou de pouca visibilidade, em locais altos, com escadas e outras situações perigosas.
  • Esconder chaves de acesso à rua.
  • Entre outros cuidados.

 

Regras para alimentação

 

Mantenha o foco na rotina, e isso inclui os horários de refeição. Mantenha as refeições em locais tranquilos e com horários regulares para não causar confusão. Evite distrações neste horário, como televisão, música alta ou muitas pessoas conversando ao mesmo tempo.

 

Esteja atento à dificuldade de engolir, que pode tanto estar associada ao quadro demencial ou à velhice. Preste atenção à consistência dos alimentos, oferecendo uma mais pastosa irá melhorar na deglutição, isso poderá evitar engasgos.

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Tenha atenção aos aspectos fisiológicos

 

Nem sempre o idoso com demência irá relatar quando há algum problema fisiológico, mesmo porque a maioria não tem condições para isso. Desta forma, verifique diariamente manchas, machucados, desidratação dérmica e outros detalhes externos no corpo do idoso com demência, que possam indicar que algo não vai bem com a sua saúde. Um exemplo disso é a pele do idoso que se rompe com facilidade, por ser sensível. O mesmo deve ser feito com qualquer outra característica fora do normal – insônia, incontinência, problemas de respiração, gripes, etc. Busque ajuda médica sempre que necessário.

 

Mantenha a normalidade

 

De acordo com as possibilidades, mantenha a rotina normal e integre o idoso com demência, fazendo os ajustes necessários. O idoso com restrições mentais não deve ser tratado como um inválido, e sim com dignidade e respeito que o idoso merece.

 

Foco na comunicação

 

A comunicação deve sempre ser reforçada. Tenha calma e se adapte às limitações do idoso. Fale com tranquilidade. Jamais perca a paciência. Repita sempre tudo o que precisar ser repetido, quantas vezes forem necessárias.

 

Dicas extras

 

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Veja também: Depressão na terceira idade – O que é? Como tratar?

 

Gostou da matéria? Alguém de sua família algum problema com a diurese noturna? Deixe um comentário a seguir!