cuidar de idosos

Os Desafio de Cuidar de Idosos em Casa

 

Desafios de se cuidar de um idoso em casa

Cuidar de idosos em casa é um grande desafio para milhares de brasileiros.

Hoje, nosso país passa por um processo de envelhecimento populacional e, por conseguinte, um significativo crescimento na quantidade de pessoas com idade acima de 60 anos.

 

E as dificuldades geradas por estas modificações no espectro populacional acabarão por recair, em maior parte, sobre os filhos, sobrinhos, netos e familiares mais jovens que deverão estar preparados para lidar com os possíveis obstáculos que se apresentam diariamente na vida de quem tem em casa um parente ou amigo idoso que necessita de auxílio e atenção especiais.

 

Hoje, o número de idosos no Brasil é de quase 15% da população. O que, no universo de 210 milhões de habitantes do país, representa um número aproximado de 30 milhões de pessoas. No entanto, muito pouco se fala e se procura conscientizar acerca das responsabilidades e adversidades geradas pela chegada de uma idade avançada e sobre a forma adequada de contornar os obstáculos e proporcionar a essas mulheres e homens o conforto e apoio que precisam para poderem experienciar com dignidade uma das fases mais desafiadoras da vida.

 

Quem viveu décadas passadas, especialmente no período pós-guerra, sabe que ter um pai ou avô idoso era uma raridade. Motivo de curiosidade, de especulação, visto que, nas

décadas 40-50 a expectativa de vida no Brasil era de 45 anos. Isso mesmo!

Assim, idosos eram muito poucos. Raros!

O que aconteceu foi que nestes últimos 60, 70 anos a qualidade de vida melhorou, e

a expectativa de vida quase duplicou. Hoje em alguns estados do Brasil, por exemplo, Santa Catarina, a expectativa está em 80 anos.

 

Mas afinal o que é, e como é cuidar de idosos em casa?

Um idoso é um indivíduo que vem passando, gradativamente, pelo processo de envelhecimento. Invariavelmente, todos que envelhecem apresentam certos graus e características da senectude.

Enquanto, para alguns idosos a simples ação de ir ao banheiro se torna um desafio, seja pela mobilidade limitada ou por problemas de incontinência urinária e até mesmo desidratação; outros correm maratonas tranquilamente.


Algumas dessas características são:

Visão e a audição podem estar diminuídas. Portanto, cuidado deverá ser redobrado. Faz

se mister uso de óculos ou cirurgia para retirar a catarata. E, após exame de audiometria, utilizar um aparelho para amplificar o som.

Os cabelos podem estar rarefeitos ou terem caído, nos homens.

 

Se a alimentação e a higiene oral ao longo da vida tenham sido adequadas, os dentes podem estar preservados. Mas é relativamente incomum, visto que no passado dentistas eram mais raros, bem como a própria preocupação e cuidados com a saúde bucal. Assim, alguns idosos fazem uso de prótese ou, se em melhores condições, implantes dentários.

 

Nessa fase, o sono está mais curto, têm menos horas de sono: em média de 4 a 5 horas por dia. E, em casos mais extremos, esse número pode girar em torno de 2 a 3 horas.

 

A memória recente pode apresentar falhas.

O coração pode estar crescido devido à hipertensão arterial ou mesmo apresentar

arritmias, o que pode exigir a utilização de marca-passo.

 

Os pulmões muitas vezes estão carregados de secreções (dependendo dos hábitos cultivados ao longo da vida e experiências em ambientes insalubres). Tosses, bronquites e pneumonias podem ser frequentes. E, na realidade, uma das principais causas de internação hospitalar de idosos é a pneumonia.

 

O estômago pode apresentar gastrite ou úlceras, especialmente se fizerem consumo frequente de bebida alcoólica e de alimentos muito condimentados ou excessivamente quentes.

 

Os intestinos podem estar mais “soltos” ou mais “presos”, o que pode causar um grande desconforto diário.

 

Já o fígado, a vesícula biliar e o pâncreas podem estar com dificuldades em processar a digestão.

 

A bexiga pode ter perdido sua elasticidade e a incontinência pode se instalar. O que acomete mais recorrentemente as  mulheres, especialmente aquelas que tiveram muitos filhos através de parto natural.

 

A coluna cervical, torácica ou lombar pode estar comprometida. Artrose, osteoporose, protusão ou hérnia discal estão presentes.

 

Os ombros, os quadris, os joelhos e tornozelos podem apresentar-se mais limitados pelas osteoartroses degenerativas.

Enfim, uma quantidade de alterações, leves, moderadas ou mesmo intensas que

deverão ser conhecidas daquele que está diariamente cuidando de um idoso em casa.

 

Estes são os aspectos que cercam o dia-a-dia de um idoso.

Agora, como então será cuidar deles?

Veja algumas dicas simples para o dia a dia de um idoso feliz.

 

1) COMPANHIA

 

Cuidar de um idoso em casa é também fazer companhia

Alguns idosos precisam de alguém para sentir se bem. Para ficarem tranquilos. Para poderem conversar.

Quando o idoso sente a presença de outra pessoa, geralmente mais nova, com quem pode compartilhar sua rotina, a solidão, a raiva, a angústia e a depressão tendem a ser minimizadas.

 

2) MEDICAMENTOS

 

Cuidar de idoso em casa é ser responsável ao dar os remédios (quando ele não

consegue administrar sozinho) no seu dia a dia, de acordo com a prescrição médica.

Sabemos pelas estatísticas do IBGE e do Ministério da Saúde, que em geral pessoas que

estão com idade acima de 60 anos utilizam no mínimo um medicamento diariamente.

 

Um dado interessante e que nos ajuda a entender esse número alto de medicamentos é que 25% da população brasileira tem pressão alta, 8% são diabéticos e 5% possuem artrite reumatóide.

 

3) TAREFAS DOMÉSTICAS

 

Cuidar de idoso em casa é poder auxiliá-lo também nas tarefas domésticas.

Hoje em dia, muitos idosos na faixa etária de 60 a 80 anos estão em ótimo condicionamento físico-mental. Uma maravilha, pois não dependem de ninguém! Cuidam sozinhos das suas tarefas diárias; vão a bancos; deslocam-se à farmácia, fazem feiras ou compras em supermercados.

 

Mas uma outra parte dos idosos brasileiros nesta mesma faixa etária tem problemas de saúde. Em alguns casos, leves, como a osteoartrose degenerativa; outros, moderados, como uma diabetes mellitus, e outra parcela tem problemas mais graves, com grandes limitações, como demências, sequelas de acidente vascular cerebral, e até amputações decorrentes de má circulação. Vale lembrar que estas limitações também são de ordem psíquica, mental.

 

4) HIGIENE PESSOAL

 

Cuidar de idosos em casa é auxiliá-los em sua higiene pessoal. Se muitos destes

idosos apresentam limitações físico-mentais, este se torna um importante auxílio

 

ESCOVAR OS DENTES

 

Este auxílio começa desde o simples ato de escovar os dentes, quando o idoso os tem, ou sua prótese, que deverá ser trocada semestralmente, visto que o processo de envelhecimento em toda face produz, além da reabsorção óssea, hipotrofia ou atrofia dos músculos.

 

BANHO

 

Na fase do envelhecimento ocorrerá diminuição dos músculos, e mesmo com aumento do tecido gorduroso, muitos idosos sentem frio, e não querem tomar banhos diariamente.
É preciso insistir e ter muita paciência. Quando fazem suas necessidades é necessário que se lavem, ou melhor, tomem banho de corpo inteiro, pois restos dos dejetos nas unhas e na pele, poderão ser deslocados para o rosto e acarretar infecções nos olhos, ouvidos,  boca ou mesmo na própria pele.

Um idoso acamado e que já não consegue controlar suas necessidades básicas,

demanda um trabalho diferente do idoso que faz tudo, mas este também pode, por vezes, apresentar confusão e se perder na volta para casa.

 

Tonturas, risco de quedas, uso de bengalas, falta de ar para caminhar, falta de

orientação, são exemplos de restrições comuns nestes casos.

 

5) ALIMENTAÇÃO

 

Cuidar de idosos em casa é também preparar e servir as

refeições adequadamente. Horários pré-estabelecidos; quantidades e volumes também

compatíveis com a idade.

 

Se fizermos uma comparação com crianças, veremos que os idosos devem fazer mudanças alimentares periodicamente e lentamente. Veja este exemplo:

 

Eu trabalho em hospitais há 32 anos e vejo, todo dia, toda semana, todo mês, todo

ano, uma enormidade de idosos com problemas alimentares. Desde casos leves até grave desnutrição, o que nos mostra que o cuidador, ou cuidadores, não estão atendendo da forma adequada às suas necessidades nutricionais.

 

Vejo e atendo idosos com excesso de peso, alguns com diarreias e, mais

comumente, com grau de prisão intestinal, constipação ou obstipação; frutos de má alimentação – biscoitos, bolachas, doces…

 

Triste ver que, com grande frequência, estes pacientes são submetidos à anestesia

para lavarem seus intestinos e liberarem fezes acumuladas há uma semana ou mais. Que

desconforto!

 

Finalmente as orientações para cuidar dos idosos em casa são manter contato com

toda a família e avisá-los se algo acontecer.

 

Concluo dizendo que cuidar de idosos em casa é auxiliá-los no que for necessário,

e não mantê-los em total dependência, seja física ou mental. Experiências de pacientes e

cuidadores podem mostrar que alguém com a doença de Alzheimer, por exemplo, pode ensinar muito às pessoas a seu redor, mesmo com todas as limitações.

 

Em meio a episódios de agitação, você, cuidador, ao falar sobre um time

que ganhou um jogo ou um campeonato, ou um cantor que compôs uma música que outrora gostava, pode ajudar a fazer a crise desaparecer.

 

Ah! Saiba que se você não estiver bem, não terá condições de cuidar nem de você e de ninguém, e todos perdem.

 

Por isso, é importante cuidar também da sua saúde e lembrar-se de sorrir sempre!

 

Saúde!

 

Forte abraço,

Dr Sergio Munhoz

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