AVC – Acidente Vascular Cerebral – Guia para a Família

Muitas pessoas desconhecem o significado do termo AVC – Acidente Vascular Cerebral. É um susto muito grande quando isso ocorre com um idoso querido que esteja sendo ou não cuidado em casa pela família. O AVC, também conhecido por derrame cerebral, não está restrito apenas às pessoas da terceira idade, mas este grupo é mais susceptível a isso. Trata-se de uma emergência médica, que não tem cura, mas que pode ser tratável em grande parte dos casos. Veja a seguir um guia completo sobre o AVC – Acidente Vascular Cerebral e saiba como diagnosticar os primeiros sinais, contribuir com o tratamento após o derrame e as boas práticas de prevenção.

O que é o Acidente Vascular Cerebral?

 

O AVC – Acidente Vascular Cerebral, ou derrame cerebral, ocorre quando há um entupimento ou o rompimento dos vasos que levam sangue ao cérebro, provocando a paralisia da área cerebral que ficou sem circulação sanguínea adequada. O AVC também é chamado de Acidente Vascular Encefálico (AVE).

 

Há mais 150 mil casos de AVC no Brasil todos os anos. Pode ocorrer em pessoas de todas as idades, desde crianças e bebês, a jovens, adultos e idosos. Contudo, são as pessoas entre 40 e 60 anos e as com mais de 60 anos as que mais sofrem com o problema.

 

Veja nesta reportagem um pouco mais sobre o AVC:

 

 

Quando ocorre, pode deixar sequelas irreversíveis ou até mesmo levar à morte, dependendo da extensão do problema e até mesmo dos primeiros socorros dedicados ao paciente. Há ainda pessoas que sofrem derrames leves, nem sempre perceptíveis. Apesar de ser um problema súbito e uma emergência médica – ao detectar os sintomas em uma pessoa, ela precisa ter atendimento especializado imediato – há um grupo considerado de risco e com maior tendência ao problema. Vejamos quais as pessoas mais susceptíveis:

 

  • Idade – Apesar de que pessoas de qualquer idade podem ser acometidas pelo AVC – muitas pessoas acham que apenas os idosos têm derrame, o que é um mito – a sua incidência cresce à medida que avança a idade. Ou seja, quanto mais velha uma pessoa, maior a chance de ela ter um AVC.

 

  • Sexo – As pessoas do sexo masculino e as pessoas negras exibem maior tendência ao desenvolvimento de AVC.

 

  • História de doença vascular prévia – Quem já teve AVC ou uma ameaça deste dano tem mais chances de tê-lo de fato ou tê-lo novamente. Pessoas que têm doenças vasculares como infarto (no coração) e a doença vascular obstrutiva periférica (estreitamento das artérias que alimentam as pernas diminuindo o fluxo de sangue) têm maior probabilidade de ter um AVC.

 

  • Doenças do coração – As doenças do coração, especialmente as que produzem arritmias (batimentos cardíacos desregulados), aumentam o risco de AVC. As arritmias provocam uma corrente sanguínea irregular e facilitam a formação de coágulos sanguíneos dentro do coração, que podem chegar pela circulação nos vasos do cérebro, diminuindo o fluxo sanguíneo e causando um AVC. É preciso estar atento às pessoas que já tiveram infarto, fibrilação atrial, doença nas válvulas, cardiopatia chagásica (Doença de Chagas).

 

  • Tabagismo – É um dos principais riscos entre os fumantes – fora que há outras doenças ou danos aos quais os fumantes estão susceptíveis. Este é um fato forte ao AVC. Isso porque há substâncias químicas presentes na fumaça do cigarro, que passam dos pulmões para a corrente sanguínea e circulam pelo corpo, afetando todas as células e provocando diversas alterações no sistema circulatório.

 

  • Hipertensão Arterial – Pessoas que já possuem pressão alta são mais susceptíveis a terem um AVC. Por isso, o tratamento da hipertensão arterial é tão importante para reduzir os riscos de derrame e de outros problemas de saúde.

 

  • Consumo de álcool e drogas – Outro hábito nocivo que pode causar um AVC. As bebidas alcoólicas e as drogas devem ser evitadas, pois levam à hipertensão e aos altos níveis de colesterol no sangue. Há drogas que afetam diretamente as artérias e criam picos hipertensivos, como é o caso do crack e da cocaína, por exemplo.

 

  • Anticoncepcional – O uso de pílulas anticoncepcionais pode favorecer o surgimento de AVC, principalmente em mulheres fumantes, ou com hipertensão arterial, ou com enxaqueca. Outros métodos contraceptivos podem ser utilizados e para isso, é preciso conversar com um médico.

 

  • Diabetes – A diabetes é uma doença que cada vez mais se alastra pelo mundo todo, sendo considerada até mesmo uma epidemia. É uma doença tratável, mas que não tem cura, e que aumenta as chances de um AVC. É causada por uma deficiência do hormônio chamado insulina ou por uma resistência a ele. Esse hormônio é essencial no metabolismo da glicose (açúcar) no corpo. Por isso pessoas com diabetes possuem um excesso de “açúcar no sangue”. É uma doença que precisa ser tratada e ter o acompanhamento médico constante – veja mais sobre a diabetes entre idosos e os cuidados necessários nesta matéria.

 

  • Sedentarismo – O sedentário está susceptível a muitas doenças – como obesidade, hipertensão, diabetes, alteração dos níveis de colesterol, etc. Todos estes são fatores para que ocorra um AVC. Desta forma, em qualquer época da vida, a atividade física confere redução do risco de doença vascular.

 

  • Alimentação rica em colesterol – Ter uma alimentação saudável é importante em qualquer fase da vida. O excesso de gordura no sangue (dislipidemias), especialmente de colesterol, leva à formação de placas nas paredes das artérias, que reduz o fluxo sanguíneo, aumentando a chance da pessoa ter um AVC.

 

  • Obesidade – A obesidade também se tornou epidêmica em todo o mundo. É preciso ser controlada, principalmente por sua associação com a diabetes, inatividade física, hipertensão arterial e dislipidemias, para reduzir os riscos de um AVC. O trabalho deve ser interdisciplinar, com a ajuda do endocrinologista, nutricionista, educador físico e outros profissionais que ajudem a pessoa a controlar e diminuir o peso, ter uma alimentação saudável e uma rotina adequada de exercícios físicos.

sintomas avc

Como age uma pessoa acometida por um click here AVC?

 

É muito importante estar atento aos sinais de AVC, pois se detectados, é possível levar a pessoa ao hospital com menos tempo entre quando ocorreu e os primeiros socorros. O tempo pode ser determinante para evitar os riscos de morte e o grau de comprometimento da saúde do paciente. Os sintomas mais comuns de um AVC são:

 

  • Dificuldade de andar,
  • Dificuldade de falar ou de discernimento,
  • Paralisia ou adormecimento do rosto, braço ou perna.
  • Fraqueza facial – A pessoa tem dificuldade de sorrir ou movimentar a boca ou os olhos.
  • Fraqueza nas pernas ou em determinado lado do corpo.
  • Perda da visão.
  • Dificuldade para andar e perda do equilíbrio – Tontura e tombos sem explicação podem ser sintomas de AVC.
  • Dor de cabeça forte e que não passa.
  • Alteração aguda da fala.
  • Dificuldades para engolir.
  • Náuseas e vômitos súbitos.

 

 

Tipos de AVC

 

Há basicamente dois tipos de AVC – Acidente Vascular Cerebral:

 

  • AVC Isquêmico: Entupimento dos vasos que levam sangue ao cérebro.
  • AVC Hemorrágico: Rompimento do vaso provocando sangramento no cérebro.

 

Veja na imagem abaixo como cada um destes tipos de AVC ocorrem:

 

Tratamento de AVC e prevenção

 

Há tratamento para as pessoas que sofrem de AVC na maioria dos casos. Não há cura, mas há casos em que a pessoa passa a levar uma vida normal ou com poucas restrições. Na maioria das vezes são bastante danosas as suas complicações – ainda mais em pessoas idosas. Contudo, é importante dizer que cada caso é um caso, e que as suas particularidades devem ser observadas com cautela. O diagnóstico das condições pós-AVC deve ser feito por um especialista, que também poderá apresentar diversas soluções de tratamento.

 

A recuperação e a qualidade de vida de uma pessoa vitimada por um derrame dependem do seu tratamento, que deve ser feito por uma equipe multidisciplinar de profissionais da saúde, fisioterapeutas, médicos, psicólogos e demais profissionais. É preciso que seus familiares compreendam que, além de estar entre as principais causas de morte mundiais, o AVC é uma das patologias que mais incapacitam.

 

O tratamento e as sequelas dependem de qual a região cerebral atingida, bem como de acordo com a extensão das lesões. Se a intensidade for pequena, quase não há sequelas. Se a intensidade for grave, todavia, podem levar as pessoas à morte ou a um estado de absoluta dependência.

 

O AVC pode causar diversas complicações, como as alterações comportamentais e cognitivas, as dificuldades na fala, as dificuldades para se alimentar, constipação intestinal, epilepsia vascular, depressão e outras implicações decorrentes da imobilidade e pelo acometimento muscular. Como já dissemos antes, o fator tempo – o decorrido entre o início do AVC e o recebimento do tratamento necessário – podem determinar a extensão dos problemas. Por isso, assim que detectados os sintomas, a vítima seja levada imediatamente ao hospital. Os danos são consideravelmente maiores quando o atendimento demora mais de 3 horas para ser iniciado.

 

 

Há formas de prevenir o AVC, já que muitos fatores de risco contribuem para o seu aparecimento. Há alguns destes fatores que não podem ser modificados – como a idade, a raça, a constituição genética e o sexo. Entretanto, há aqueles que podem ser diagnosticados e tratados, como é o caso da hipertensão arterial (pressão alta), a diabetes mellitus, as doenças cardíacas, a enxaqueca, o uso de anticoncepcionais hormonais, a ingestão de bebidas alcoólicas, o fumo, o sedentarismo (falta de atividades físicas) e a obesidade.

 

Desta forma, a todas as pessoas, inclusive idosos, são indicadas as seguintes ações de prevenção do AVC:

 

  • Diminuir a quantidade de gordura na sua dieta e dar preferência por alimentos saudáveis.
  • Parar de fumar diminui ainda mais o risco e é imediatamente eficaz.
  • Realizar exercícios físicos regulares, pois eles melhoram a circulação e ajudam a diminuir os outros fatores de risco para AVC. A OMS – Organização Mundial da Saúde indica pelo menos 30 minutos de atividades físicas diariamente.
  • No caso de pessoas com pressão alta, é preciso tomar os remédios conforme orientado pelo médico, mesmo que você não tenha sintomas.
  • Controlar e tratar adequadamente a diabetes, através de uma dieta adequada e tomar os remédios adequadamente para manter o nível de glicose no sangue dentro do normal.
  • Consultar um médico regularmente.
  • Diminuir os fatores de risco – quando há mais de um, mais elevada é a probabilidade de ter um AVC.

 

Medicamentos para AVC

 

Há diferentes medicamentos capazes de tratar e evitar a possibilidade de AVC, ainda mais para quem tem fortes fatores de risco. Contudo, deve-se consumi-los apenas com orientação médica. Eles evitam futuras complicações, a exemplo de doenças cardiovasculares. A sinvastatina, por exemplo, costuma ser o remédio mais prescritos por especialistas. Mas há outros que, dependendo do caso, podem ser mais indicados. Consulte um médico ou leve o seu pai ou mãe idosos para uma consulta e avaliação clínica, mesmo que não tenha sintomas ou fatores de risco aparentes.

 

Cuidados com idosos que tiveram AVC

 

No caso de idosos que tiveram AVC e possuem sequelas ou alguma limitação, o primeiro passo é ter orientação médica adequada, para definir o melhor tratamento conforme as extensões do problema. Muitas vezes, o idoso precisará de auxílio para tarefas corriqueiras, como tomar banho, fazer a sua higiene pessoal básica, lembrar de eventos ou reconhecer pessoas, pegar peso, etc. Em outros casos, a vítima de AVC precisará de auxílio até mesmo na sua alimentação e poderá ficar acamada. Quando há dificuldades de comunicação, é importante interagir com o idoso, para que ele não fique no ostracismo. É importante discutir com o médico quais os tratamentos mais indicados para cada caso – células cerebrais não se regeneram nem há tratamento que possa recuperá-las.

 

Contudo, há recursos terapêuticos capazes de ajudar a restaurar funções, movimentos e fala. Em muitos casos, há o envolvimento de fisioterapeutas, médicos, psicólogos e demais profissionais para que se possa garantir mais qualidade de vida à vítima de AVC.

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