Aspectos emocionais e psicológicos do envelhecimento

Uma das mudanças mais significativas que ocorrem na terceira idade diz respeitos aos aspectos psicológicos e emocionais. Parece que a pessoa passa a fazer uma jornada inversa – e nem sempre está preparada para isso. Ao nascer, o ser humano está completamente indefeso e desamparado. É necessário que tenha a atenção dos pais ou responsáveis para todos os aspectos da sua vida, desde a alimentação ao afeto. É nesta fase que mais se desenvolve e os estímulos psicológicos e emocionais fazem toda a diferença da formação da criança e no modo como vai agir no mundo.

Toda a sua vida será afetada pelas relações e estímulos emocionais e psicológicos da infância – a sua capacidade de aprender, de se transformar, de superar desafios de todos os tipos, de amadurecer e ter reflexões assertivas sobre si e sobre os outros, etc. Recebemos motivações para aprimorarmos a nossa consciência para lidar com diferentes situações em diferentes fases da vida – o luto, a rejeição, as perdas, os ganhos, as conquistas, os relacionamentos de todos os tipos, a forma como lidamos com diferentes papéis sociais, etc. Quando atingimos a velhice, na maioria dos casos, já temos muitas informações e conhecimentos sobre como encarar esta nova fase, mas nem por isso é algo menos desafiador. Não é fácil ir se tornando gradualmente autônomo e chegar nesta fase cada vez mais dependente – dos medicamentos, das condições do ambiente, dos familiares, e assim por diante. E mesmo que seja uma fase vista como o inverso da infância, não deixamos de ter a necessidade de aprender as coisas e entender o nosso papel neste contexto.

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Capacidade de reflexão e de aprendizado ao longo da vida

 

O ser humano, desde o momento que nasce até seus últimos segundos na terra, se desenvolveu ao longo do tempo para ter condições de aprender, e com isso, saber lidar consigo e com o mundo. É preciso aprender a lidar com a velhice, assim como você aprendeu a ser adulto. Na sociedade ocidental atual há um verdadeiro culto à juventude e ser velho nem sequer é cogitado – ignora-se sumariamente a velhice, sem entender que ela chega para todos, e mais, que é uma fase formidável em vários aspectos. Tenta-se esconder um futuro que virá irremediavelmente para todos e, em muitos casos, ignora-se as necessidades do próprio parente idoso, jogando-o em uma espiral de ostracismo e abandono. E a velhice não deveria se tornar um problema social – mas acabou se tornando.

 

A falta de maturidade, aceitação e compreensão sobre o fato de estar velho pode desencadear diversos problemas psicológicos e emocionais, resultando ainda em problemas físicos diversos e conflitos com as pessoas próximas. Não é à toa que o idoso tende a se isolar nesta fase e que a depressão é a doença mental mais comum entre os idosos não só do Brasil, mas como de todo o mundo – veja mais sobre a depressão entre idosos nesta matéria.

 

Envelhecimento e longevidade

 

Dizer tudo isso não faz muito sentido quando sabemos que a população está envelhecendo drasticamente e que as pessoas na atualidade vivem mais, sendo a terceira idade uma fase cada vez mais prolongada, graças à qualidade de vida e aos avanços da medicina. Você pode conferir nesta matéria um pouco mais sobre o envelhecimento da população brasileira e uma cartografia do suposto futuro que nos aguarda. Estamos vivendo mais e melhor, mas ainda faltam iniciativas públicas para que todas as classes sociais possam ter acesso a um suporte mais assertivo nesta fase da vida – também ao que se refere aos aspectos emocionais e psicológicos. Nem sempre é fácil para o idoso encarar uma fase de tantas transformações como é a terceira idade.

 

É claro que em todas as sociedades e períodos históricos se pensou sobre o que significa envelhecer, e sempre se buscou uma fórmula para a juventude eterna, obviamente sem êxito. A velhice sempre incomodou a todas as pessoas e, na maioria dos casos, foi encarada como uma sentença negativa. No entanto, estamos envelhecendo mais lentamente com o passar dos anos, apesar de a população estar se tornando mais velha, pois há menos nascimentos que mortes. Se a longevidade é maior, há mais tempo para se preparar para o envelhecimento.

 

Na concepção de um idoso, a velhice é um desafio, pois há a sensação de imutabilidade; a vivência é vista pela perspectiva da finitude, e a fantasia de eternidade encontra um limite. O tempo indefinido já se foi e há a sensação de uma corrida contra o tempo em todos os aspectos. É preciso lidar ainda com os planos e projetos de um futuro que nem sempre chega, que ficaram em algum ponto da vida e não puderam ser cumpridos. Há ainda os sintomas da menopausa e da andropausa, a queda de desempenho sexual e corporal, a problemática da aposentadoria, a falta de conexão com as outras gerações e uma série de questionamentos, que quando não são muito refletidos, se transformam em problemas emocionais e psicológicos.

 

No entanto, vivemos ainda em click here uma época em que o envelhecimento não é encarado como um tabu tão absoluto quanto antigamente. Se há 100 anos, se aposentar era ficar mais próximo da morte, hoje é justamente este acontecimento que desencadeia uma infinidade de novas oportunidades, que faltava às outras fases da vida. Se antes aposentar significava descansar, hoje vemos idosos cada vez mais ativos. Com certeza, daqui a 100 anos, teremos ainda outra perspectiva bem diferentes sobre o que significa ser idoso.

 

Tudo é impermanente

 

Os ensinamentos budistas, assim como os de outras culturas, dizem que tudo na vida de uma pessoa e no próprio mundo é impermanente – tudo muda, tudo se transforma, tudo deixa de ser e se torna outra coisa. É a única certeza que temos.

Desta forma, não há motivos para aceitar a terceira idade como uma sentença – esta é apenas mais uma das fases da sua vida. Não significa deterioração, mas apenas mais uma fase diferente. Boa parte dos problemas psicológicos e emocionais na terceira idade está ligado à incapacidade de aceitação, com a resistência ao inevitável – uma consequência da cultura do culto à juventude que existe na sociedade atual.

 

Não se pode conceber o próprio envelhecimento pelo olhar do outro. O envelhecimento também é uma época de aprendizado, pois como dissemos antes, a todo momento aprendemos, e não se pode recusar a aprender o que esta nova fase da vida tem a lhe oferecer. O planejamento da velhice, ao longo do tempo, é muito importante e dá mais segurança ao idoso – planejar não elimina os desafios que vêm com a idade, apenas os ameniza – mas quando isso não acontece, diante das desesperanças e limitações, é preciso compreender, aceitar e fazer o melhor que se pode.

 

Viver aqui e agora

 

Outro aspecto do envelhecimento que pode desencadear conflitos emocionais e psicológicos é ficar preso ao passado – seja pelas mágoas e pela impossibilidade de mudá-lo ou por achar que o passado era melhor que agora. Assim como é problemático ficar preso ao futuro, à falta de tempo e à insegurança dos próximos dias.

 

O peso do passado traz a depressão e o medo do futuro traz ansiedade. O momento certo para cada fase da vida é o agora – é no momento presente que a pessoa pode tomar decisões, conhecer a si mesma, compreender e modificar seus sentimentos e emoções. Isso vale também para a velhice.

 

O envelhecimento ocorre desde quando você nasceu

 

Este subtítulo acima guarda uma verdade: estamos a todo momento envelhecendo, desde quando nascemos. Os movimentos celulares são uma prova disso. Apenas nos damos conta quando há mudanças significativas na aparência e nas possibilidades do corpo.

 

É claro que não podemos negar estas mudanças – há a possibilidade de acréscimo de doenças, limitações dos movimentos e das capacidades fisiológicas e mentais, a dependência a outros adultos mais jovens, etc. A isso damos o nome de senescência – um processo fisiológico inelutável do organismo que acarreta modificações precisas associadas a uma redução de todas as funções sem provocar doenças.

 

Lidando com o envelhecimento

 

Mas ser mais velho não significa ser mais infeliz, mais doente, mais incapaz necessariamente. O significado do envelhecimento quem dá, na verdade, é a própria pessoa. A perspectiva do sujeito idoso sobre si e sobre esta nova fase de sua vida é o peso que pode desencadear a autodestruição e a entrega ou a compreensão e aceitação dos novos desafios.

 

O significa da velhice não precisa estar ligado ao senso comum ou à cultura, mas antes é o próprio idoso que decide o que significa ser velho. O resgate da autoestima, o bom relacionamento com os outros, a disposição de aprender coisas novas, de fazer diferente, a capacidade de conviver, entre outros aspectos, fica mais fácil quando o idoso se torna possível quando o idoso ressignifica a sua própria condição, independentemente de como seja.

 

O que se pode fazer pelo idoso?

 

Muitos idosos, assim como cuidados médicos, precisam de cuidados psicológicos para enfrentar esta nova fase da vida – e isso é normal em qualquer idade. Desta forma, a família que cuida de seus idosos em casa deve estar atenta para verificar se a pessoa não precisa de ajuda psicológica ou psiquiátrica.

Apoio, empatia e afetividade são atitudes que todos os membros da família podem ter com o idoso e isso não custa nada e nem precisa de mediação profissional. Quando o idoso não pode se cuidar sozinho, a família é essencial para garantir a sua qualidade de vida, saúde, segurança e bem-estar.

 

Mas é importante lembrar que cuidar de um idoso não significa apenas amparar as suas necessidades materiais, mas sim ter empatia e compaixão como uma atitude mental baseada no desejo de que o outro se livre do sofrimento; é estar comprometido, ser responsável e ter muito respeito pelo outro.

 

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