Aspectos Cognitivos em Idosos

Compartilhar com:


 

Com o passar dos anos, ocorre um declínio natural da capacidade cognitiva, ou seja, há maior dificuldade em processar informações e transformá-las em conhecimento. O prejuízo cognitivo que pode incluir alterações da linguagem, memória, desorientação em relação ao tempo e ao espaço, raciocínio, concentração, aprendizado, realização de tarefas complexas, julgamento e habilidades visuais-espaciais. Essas alterações podem ser acompanhadas por mudanças no comportamento ou na personalidade incluindo sintomas neuropsiquiátricos.

Interferem com a habilidade no trabalho ou nas atividades usuais, representam declínio em níveis prévios de funcionamento e desempenho. No que diz respeito à área cognitiva, o declínio ocorre como um aspecto normal do envelhecimento já que é um processo biológico natural, e não patológico, caracterizado por uma série de alterações anatômicas, fisiológicas, bioquímicas e psicológicas, que acontecem no organismo ao longo da vida.

Várias capacidades cognitivas alteradas superiores às esperadas num envelhecimento normalmente podem ser indicativas de estados iniciais de demência. As situações de transição entre o envelhecimento normal e a demência têm merecido particular atenção nos últimos anos.

Saber se essas situações evoluem para demência, em particular à doença de Alzheimer, é uma das preocupações atuais nesta área.

Neste artigo falaremos como identificar o déficit cognitivo, funções mentais alteradas e como pode-se estimular a memória e outras faculdades mentais para diminuir os danos causados.

Identificação do Déficit Cognitivo

Conversar com Idosos

Numa boa conversa semanal com os idosos já podemos ter indícios de algumas alterações relacionadas à memória. O acompanhamento dessas “sessões’ antecipará inúmeras complicações.

Doenças como Alzheimer e Parkinson estão entre as mais conhecidas em relação a déficit cognitivo. Ambas possuem a incidência maior em idosos. E por conta disso pessoas associam o surgimento das dificuldades cognitivas com o envelhecimento, mas a verdade é que os sintomas podem aparecer muito antes e estar relacionados a várias situações.

 

Testes Neuropsicológicos

O objetivo é entender o nível de limitação envolvido e de que maneira ela se manifesta. É como um escaneamento do cérebro. Portanto, para identificar um possível déficit são realizados números testes e para cada caso pode ser necessário uma avaliação.

 

Funções mentais avaliadas na identificação do déficit cognitivo

  • Memória – tanto de curto quanto de longo prazo, incluindo memória auditiva, visual, contextual e não verbal.
  • Raciocínio lógico – avaliação da velocidade de processamentos, da capacidade de planejar e contextualizar as informações.
  • Coordenação – capacidade de desenvolver ações especificas de maneira concomitante e tempo dessa resposta.

Causas

O déficit cognitivo pode ter origem na ansiedade, depressão, insônia ou mesmo em doenças endócrinas. As lesões cerebrais resultantes de traumatismo do crânio, tumores, exposição a produtos químicos, paralisia cerebral e derrame também podem causá-lo.

 

Memória

 

A perda da memória dificulta a aproximação das pessoas e as suas relações afetivas, sociais e familiares, o idoso fica com limitações nos seus relacionamentos. A perda de memória impede-o de se cuidar, planejar sua qualidade de vida e consequentemente perde a autonomia.

A memória é a primeira capacidade cognitiva afetada na maioria dos casos de demência degenerativa, e uma das capacidades que sofre modificações evidentes durante o envelhecimento normal. Simultaneamente, é responsável por um grande número de queixas acima dos cinquenta anos.

  • Memória de curto termo, imediata ou primária – a maioria dos estudos não mostra alterações relevantes nesta capacidade com o envelhecimento.
  • Memória de longo termo – é constituída por sistemas ou processos diferentes. Fazem parte os sistemas que lidam com os acontecimentos num contexto espaço temporal, a chamada memória episódica, e os click here sistemas que lidam com a informação fatual.
  • Memória prospectiva – é o tipo de memórias que usamos para cumprir os nossos compromissos, é a nossa agenda interna. Este tipo de memória para ações que devem ser desencadeadas num futuro mais ou menos próximo, é muito importante para a independência funcional. No caso de sujeitos com declínio cognitivo sem demência e em fases iniciais de demência, a memória prospectiva pode estar alterada, estando o desempenho destas tarefas totalmente dependente de ajudas externas.

É na Memória episódica que se fazem sentir as maiores alterações durante o envelhecimento. Há um declínio constante e significativo da aprendizagem com a idade.

 

Atividades e jogos que estimulam a memória do idoso

1. Jogo das Diferenças

Também conhecido como o jogo “Encontre as 7 diferenças”. Caracteriza-se como um dos jogos mais eficientes para estimular a memória dos idosos. Este jogo irá forçar o idoso a exercitar a sua percepção e análise ao procurar diferenças entre duas imagens que aparentemente parecem iguais.

2. Sudoku

O “Sudoku” é um jogo de lógica de raciocínio muito divertido. Este quebra-cabeças requer paciência, atenção e boa aptidão para cálculos simples. Tem como objetivo colocar os números de 1 a 9 em cada linha, coluna e quadrado de 3×3.  A regra é não repetir números na horizontal e vertical.

3. Palavras Cruzadas

Funcionam como uma excelente ginástica cerebral para os idosos. Consiste em completar /preencher os espaços vazios de uma grelha com letras, que juntas formam uma palavra na vertical e na horizontal. Para que preencha os espaços de forma correta, são dados alguns sinônimos da palavra. As “Palavras Cruzadas” combatem a perda de memória pois quanto mais informações o cérebro recebe, mais sedento de novos dados fica.

4. Dominó

O dominó estimula a concentração e o raciocínio lógico.

O “Dominó” proporciona o desenvolvimento de uma estratégia de jogo. É ótimo para desenvolver as habilidades cerebrais como prevenção da perda de memória. O objetivo passa por colocar todas as peças do seu jogo na mesa. Ganha quem for o primeiro a fazê-lo.

5. Aprender uma língua

Nunca é tarde para aprender e, quando existem enormes benefícios para o fazer, ainda melhora. Aprender uma língua atrasa o aparecimento de doenças associadas à demência, como o Alzheimer, pois incentiva o idoso a exercitar a sua memória.

6. Ensinar algo a alguém

Se nunca é tarde para aprender, para ensinar também não. Ao ensinar conseguimos desenvolver ainda mais as nossas capacidades cognitivas.

 

Atividades e jogos que estimulam a coordenação

Atividades como teatro ou dança

Praticar uma atividade como teatro ou dança “obriga” os idosos a decorarem falas, movimentos ou instruções. Desta forma, o idoso exercita a memória ao mesmo tempo que se diverte. Além disso, promove o envelhecimento saudável e ativo.

 

Dicas para amenizar déficits cognitivos

  • Use um calendário ou agenda diária para não esquecer atividades e datas importantes

Mesmo antigos estes métodos são ótimos na organização da rotina e evitar faltar compromissos. Ótima maneira de gerenciar melhor o tempo.

  • Peça às pessoas para repetirem informações e anote novas

Não tenha receio de pedir para as pessoas repetirem as informações, quantas vezes for necessário. É uma maneira de estar sempre atualizado e evitar mal-entendidos.

  • Use lembretes e faça listas

Vá ao supermercado, farmácia, padaria, açougue e leve uma lista para lembretes. É um bom exercício para estimulação da memória.

  • Faça atividades físicas

Além de gastar energia e melhorar o funcionamento do organismo, é capaz de auxiliar na memória.

  • Fique de olho no seu prato

Cuidar da alimentação é aspecto importantíssimo. Investir no presente numa dieta balanceada é cuidar da mente no futuro.

  • Psicólogos/Psiquiatras

Importantes na equipe multidisciplinar haver psicólogos e psiquiatras na condução dos idosos com distúrbios cognitivos.

Sessões semanais com psicólogos num médio e longo prazo farão grande diferença na evolução do quadro. Há também componente contribuinte na melhora da auto estima, maior confiança.

 

Tratamento

Não existe até o momento cura, mas o déficit cognitivo por ser tratado de diversas formas de acordo com a origem do problema. Sempre multidisciplinar: médicos, psicopedagogos e fonoaudiólogos. O foco é trabalhar as limitações identificadas a partir de estímulos que ajudem a desenvolver as habilidades cognitivas.


 

A grande verdade é que apesar dos preconceitos e rotulações que surgem muitas vezes de forma equivocada, diagnosticar e tratar mais precocemente as alterações garante maior sucesso.

A qualidade de vida e a motivação em sociedade podem ser recuperadas quando sinais e sintomas são avaliados adequadamente. Os idosos saudáveis não precisarão de nós ou necessitarão parcialmente, todavia a dependência nos quadros de déficit cognitivos poderá ser total.

 

Saúde

Dr. Sergio Munhoz