Alergia em idosos

Compartilhar com:


 

Entre os problemas de saúde próprios da velhice, a alergia em idosos é um dos principais motivos da ida ao consultório médico ou ao posto de saúde, com impactos consideráveis sobre a qualidade de vida e ao bem-estar desses pacientes.

As reações alérgicas são reações de hipersensibilidade, respostas inadequadas do sistema imunológico a uma substância que normalmente é inofensiva. Geralmente as alergias causam olhos lacrimejantes e pruriginosos, corrimento nasal, prurido na pele, erupções cutâneas e alguns espirros. Entre 5% e 10% dos idosos têm algum tipo de alergia.

De acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, as três principais causas de alergias em pacientes com mais de 60 anos de idade a são a rinite alérgica, a asma e a tosse. Seguem as manifestações dermatológicas, o prurido, a urticária, alergia a medicamentos e dermatite de contato.

Os sintomas costumam ser sistêmicos e podem ser bem mais graves. Já o outro tipo é a alergia com reação tardia. Pode demorar de 48 horas a 72 horas para se manifestar. Os sintomas são mais leves e consistem em inflamação e coceira, em geral.

Alergias respiratórias
RINITE ALÉRGICA

Espirros repetidos, coriza abundante, entupimento e coceira nasal. À medida que o processo inflamatório alérgico piora, compromete-se a mucosa, resultando em manifestações em olhos, ouvidos, seios da face, garganta e pulmões.

Podem ocorrer também lacrimejamento e coceira nos olhos, céu da boca, ouvidos e garganta. É comum a sensação de corrimento de secreção pela parte de trás do nariz para a garganta, que pode provocar pigarro ou tosse insistente.

Nas manifestações mais intensas e demoradas de rinite, a secreção pode se modificar e tornar-se pegajosa, espessa e amarelada, principalmente quando ocorre infecção secundária no nariz e nos seios da face.

ASMA

Manifesta-se por crises de “falta de ar”, “chiado no peito”, cansaço e tosse, sintomas determinados por uma inflamação crônica e persistente das vias respiratórias. A asma compromete cerca de 10% da população sendo que nos idosos é bastante frequente, a despeito do mito de que a asma “cura com a idade”.

As crises de asma podem variar desde uma leve sensação de cansaço até sufocação grave. Como é uma doença dinâmica, pode se manifestar de modo diferente num mesmo paciente, ora de forma discreta e controlada, ora grave e, sob certas circunstâncias, evoluindo rapidamente para uma crise descompensada.

TOSSE

A tosse é uma queixa comum e pode ser um problema no caso dos idosos. Em primeiro lugar, por ser incômoda e interferir na qualidade de vida, do sono e do repouso noturno. Além disso, em grande parte dos casos, inicia-se a busca de alívio com xaropes caseiros, antitussígenos e expectorantes, que vêm se somar aos medicamentos que o idoso já utiliza. Contudo, é essencial buscar a causa da tosse, pois pode ser o sinal de diversas doenças, desde resfriados simples até problemas mais sérios.

Idosos podem ter a chamada “tosse crônica” de duração arrastada que pode estar associada com a alergia e necessitar tratamento especializado. Também pode ser causada por remédios para controlar a hipertensão e ser confundida com a alergia.

É importante ressaltar que a tosse nos idosos não é um problema banal controlado apenas por xaropes ou antitussígenos, mas é sobretudo um sinal de comprometimento do organismo por fatores importantes, e por isso a causa da tosse deve ser pesquisada.

Uma vez identificado o quadro de alergia respiratória, é preciso dar início ao tratamento, que consiste no combate aos agentes alergênicos e no uso de medicamentos para abrandar a resposta inflamatória e reduzir os sintomas.

ALERGIA NOS OLHOS

Os olhos se modificam com a idade, tornando-se mais secos e propensos a fatores irritativos. Soma-se ao fato de que as pessoas idosas em geral usam colírios com frequência, o que pode gerar ardência e desconforto, confundindo com alergia. As manifestações alérgicas nos olhos podem comprometer as pálpebras, cílios, conjuntiva, córnea e úvea. São as blefarites, conjuntivites, uveítes.

A alergia ocular compreende principalmente as conjuntivites alérgicas, sendo que o tratamento consiste na redução da exposição ao alérgeno e no alívio dos sintomas.

 

Alergias dermatológicas
COCEIRA OU PRURIDO

Coceira na pele é uma manifestação comum em idosos, devido às características da pele nesta faixa etária. É um sintoma que pode acompanhar várias situações de saúde e condições da pele. Pode ser sinal de problemas dermatológicos, doenças orgânicas ou ainda alterações emocionais.

URTICÁRIA

É uma erupção na pele manifestada por placas avermelhadas salientes, de tamanho variado, com coceira intensa. A urticária representa cerca de 1/3 das causas de consultas em clínicas ou ambulatórios voltados para atendimento de doenças cutâneas alérgicas. Entre os pacientes com mais de 60 anos, ocupa posição de destaque pela dificuldade de seu manuseio.

A urticária se manifesta por pontos e placas salientes, pápulas, em geral de aspecto avermelhado, de tamanho variável desde milímetros até vários centímetros. As lesões podem ser isoladas ou se juntar formando grandes placas. São normalmente bem delimitadas e costumam coçar muito. As pápulas têm duração fugaz, pois evoluem em algumas horas, desaparecendo sem deixar vestígios e mudam de localização, aparecendo ora num local do corpo, ora em outro.

ECZEMA DE CONTATO

Os eczemas de contato são produzidos pela ação direta de determinadas substâncias sobre a pele. Essas substâncias podem agir como irritantes da pele ou por mecanismos alérgicos. O aumento da industrialização determina uma maior exposição a novos produtos químicos capazes de provocar dermatite de contato. No idoso, particularmente, é importante destacar o papel de medicações de uso local, cremes, pomadas, loções, provocando eczemas. Outras causas em idosos incluem: cosméticos, bijuterias, produtos de limpeza.

Até mesmo as medicações de uso local, como pomadas e loções, podem causar o eczema, o que nos leva a analisar um último tipo de alergia em idosos.

 

Testes alérgicos

O teste de alergia é um tipo de exame de diagnóstico que serve para saber se a pessoa tem ou não algum tipo de alergia como a alergia de pele, alimentar, medicamentosa ou até respiratória. Geralmente, o teste de alergia é feito no consultório do alergologista ou dermatologista, e é recomendado quando a pessoa apresenta coceira, inchaço ou vermelhidão na pele. Esses testes também podem ser feitos através de exames de sangue, que determinam quais as substâncias dos click here alimentos ou ambiente têm maior risco de provocar alergia.

O teste de alergia pode variar entre 200 e 300 reais, dependendo do tipo de alergia que se está tentando diagnosticar.

Como é feito

Para fazer o teste de alergia, dependendo do tipo de alergia, o médico irá recomendar um dos seguintes testes de alergia na pele:

Teste de alergia no antebraço: deixa-se pingar, no antebraço do paciente, algumas gotas da substância que se pensa causar alergia, ou faz-se algumas picadas, com uma agulha com a substância, e aguarda-se 20 minutos para verificar se o paciente tem reação.

Teste de alergia nas costas: também conhecida por teste de alergia de contato, consiste em colar uma fita adesiva nas costas do paciente com uma pequena quantidade da substância que se julga causar alergia ao paciente, depois deve-se esperar até 48 horas e observar se surge alguma reação na pele.

 

Os testes de alergia cutâneos podem ser feitos para detectar uma alergia em qualquer pessoa, incluindo em bebês, e a reação positiva consiste na formação de uma bolha vermelha, como uma picada de mosquito, que leva ao inchaço e coceira no local.

Além destes testes, o paciente pode fazer um exame de sangue para avaliar se existem substâncias no sangue que indicam se o indivíduo tem algum tipo de alergia.

No caso de alergia alimentar, como alergia ao leite, glúten ou ao camarão, por exemplo, o médico pode recomendar ainda a realização de um teste de provocação oral, que consiste em ingerir uma pequena quantidade do alimento que causa alergia e verificar a reação.

 

ALIMENTOS E ALERGIA

Alimentos como ovo, leite e amendoim estão entre os principais responsáveis por causar alergia alimentar, um problema que surge devido a uma reação exagerada do sistema imunológico contra um alimento ou uma substância do alimento.

 

Como se preparar para o teste

O preparo para o teste de alergia deve incluir: eliminar o uso de anti-histamínicos, como Hidroxizina ou Clemastina, por exemplo, duas semanas antes de realizar qualquer teste de alergia, pois pode interferir com os resultados, impedindo a reação à substância a que é alérgico; evitar a aplicação de cremes na pele, já que pode levar a um resultado errado, quando realiza teste de alergia cutâneo.

Além destas orientações, o paciente deve cumprir todas as indicações especificas que o médico indicou, para que o teste de alergias informe corretamente a causa da alergia.

 

Prevenção de alergia em idosos

Diante desse cenário, é muito importante adotar medidas de prevenção de crises alérgicas em pessoas mais velhas, o que evita a necessidade de atendimento ambulatorial, consultas especializadas, novos tratamentos medicamentos e diversas limitações.

  • Adote uma rotina especial de limpeza da casa: alérgenos como ácaros, fungos, pelos de animais, células descamadas da pele e fragmentos de insetos fazem parte da poeira doméstica: o principal causador de rinite e asma alérgica, tosse, irritação nos olhos e até mesmo na pele. Por isso, é preciso adotar uma rotina de limpeza especial pelo menos uma vez por semana, seguindo medidas como utilizar um pano úmido para limpar o piso e as superfícies dos móveis em vez de vassoura e espanador, que apenas espalham a poeira pela casa.
  • Ter cuidados com o colchão, o travesseiro e a roupa de cama: o colchão é o campeão no acúmulo de ácaros dentro de uma casa, seguido pelo travesseiro. Por isso, é preciso adotar cuidados como utilizar uma capa antialérgica nesses dois objetos e colocá-los para tomar sol pelo menos uma vez por semana. Além disso, o colchão deve ser virado a cada 15 dias e trocado a cada três anos.
  • O travesseiro deve ser lavado somente a seco, não pode ser de penas e precisa ser trocado a cada dois anos, pois dois terços de seu peso serão compostos por ácaros nesse período.
  • Recomenda-se dar preferência aos edredons em vez de cobertores de lã, pois eles acumulam menos pó. Eles devem ser lavados uma vez por mês e expostos ao sol uma vez por semana.
  • Lençóis e fronhas devem ser preferencialmente antialérgicos e devem ser trocados, lavados e passados com ferro quente uma vez por semana.
  • Evitar o acúmulo de objetos: pessoas idosas muitas vezes tendem a acumular objetos como roupas, peças de madeira, utensílios domésticos, revistas e jornais, que são muito sujeitos a acumular poeira doméstica. Por isso, é necessário ajudá-los a não guardar tantos itens desnecessários.
  • Além disso, deve-se reduzir ao máximo o número de objetos de decoração, que também juntam muito pó, e evitar que os armários fiquem entulhados, pois isso dificulta a limpeza – que deve ser semanal -, e impede a circulação do ar e favorece o desenvolvimento de bolor.
  • Utilizar um purificador de ar na casa e no quarto do idoso: por mais que se limpe a casa, os ácaros se reproduzem em grande velocidade e é impossível conter totalmente a entrada de alérgenos como pólen, cheiros fortes e fumaça de cigarro. Dessa forma, é muito importante contar com um purificador de ar na prevenção das alergias. Modelos como o purificador de ar Sterilair funcionam com altas temperaturas que não apenas ácaros, fungos e odores, mas também eliminam bactérias causadoras de outras doenças. Além disso, ele tem baixo consumo de energia e é ideal para ficar ligado o tempo todo. Uma boa ideia é manter um purificador de ar nos ambientes mais frequentados pela pessoa idosa, como a sala e o quarto, garantindo o controle ambiental permanente.
  • Evitar o contato com materiais que desencadeiam o eczema: entre os idosos, uma das principais causas de eczema de contato é o uso de medicamentos tópicos como cremes, pomadas e loções, por isso eles devem ser desestimulados a praticar a automedicação.
  • Outras causas importantes dessa alergia de pele são cosméticos, tinta para cabelo, esmalte, removedor de esmalte, bijuterias, repelente de insetos e algumas plantas hera-venenosa, casca de manga, sendo essencial retirá-las do dia a dia do idoso.

 

Controlar os medicamentos utilizados pela pessoa idosa

Com as condições associadas ao envelhecimento, como hipertensão, colesterol alto, hipertensão, diabetes e outros distúrbios, é comum que os idosos utilizem diversos medicamentos concomitantemente.

Porém, essa população apresenta uma maior propensão ao esquecimento e à confusão entre os remédios, o que diminui a eficácia dos tratamentos e aumenta o risco de interações indesejadas.  Este aumento do uso pode resultar em reações adversas, como as reações alérgicas a medicamentos. Alguém que sempre tomou um remédio e nunca teve nada, um dia toma este mesmo remédio e fica com inchaços pelo corpo. Isto acontece porque a alergia não surge da primeira vez e sim quando já se tomou aquele remédio por várias vezes.

Analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios como aspirina, dipirona, diclofenaco e ibuprofeno, antibióticos, diuréticos e anti-hipertensivos, além de contrastes iodados e anestésicos.

Dessa forma, todo medicamento consumido por uma pessoa idosa deve ser recomendado pelo médico, e o tratamento deve ser acompanhado por esse profissional para evitar as reações alérgicas.

 

Tratamento

O tratamento  das alergias nos idosos não diferem daquele nas demais faixas etárias, na maior parte das vezes; contudo, os idosos podem ter outras doenças associadas, além da alergia, e usarem outros medicamentos,  por isso, os cuidados devem ser rigorosos para avaliar que se obtenha o melhor resultado de forma segura e eficaz.

Medidas preventivas seguramente resolverão a maioria dos processos alérgicos.

 

Saúde

Dr. Sergio Munhoz