10 coisas que você precisa saber para cuidar bem de uma pessoa com doença terminal

Não é fácil lidar com a certeza de que a existência do pai ou mãe idosos cuidados em casa e com a saúde debilitada está para se findar. Mas é muito mais difícil, acredite, para aqueles que recebem um diagnóstico de doença terminal e que devem acolher dentro de si a ideia de que irão partir desta vida. Nem sempre a morte é romântica e cheia de reflexões: muitas vezes, há dor, há expectativas sobre quando o momento de fato chegou, há medos estranhos e uma vontade imensa de que a vida ainda não chegou ao fim. Em outros casos, há um sentimento de reconciliação inevitável consigo mesmo, uma paz profunda e difícil de entender. Cabe ao cuidador de um doente terminal ser coerente, promover a todo o momento o bem-estar e estar junto, de modo consciente, durante a partida.

Em nenhuma cultura o homem conseguiu ter a capacidade de se “preparar e aceitar” de fato a morte. Por mais “preparada” que uma pessoa esteja sobre a sua doença e sua condição de vida ou por mais que uma pessoa se prepare para perder um ente querido, jamais será o suficiente. Isso porque a morte é cheia de tabus em nossa sociedade: somos imaturos diante de um fato previsível e natural e da contradição de que também é natural o instinto de querer viver, de sobrevivência.

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Quando se há a iminência da morte em uma situação de doença terminal, uma estratégia válida é focar na vida – pois ainda há vida, e deve também haver integridade, respeito, dignidade, em todos os sentidos. Pode não haver cura, conforme o diagnóstico dado, mas não quer dizer que ainda não haja vida. Na verdade, a única certeza de que se tem em uma situação destas é que ainda há vida, que pode decorrer meses ou anos. Há ainda a certeza de que em grande parte dos casos, o paciente necessitará dos mesmos cuidados físicos, emocionais e espirituais que todos nós. Vejamos 10 cuidados importantes para se garantir ao paciente quanto às suas necessidades, físicas, psicológicas, sociais e espirituais.

 

Cuidados físicos para pessoas com doença terminal

1) Se há dor física – aguda ou crônica – debilita e não permite que a pessoa realize suas tarefas diárias, garantir o bem-estar é primordial. É importante conversar com o médico especialista na doença para que este indique a melhor solução em medicamento ou tratamento para amenizar a dor. Muitas vezes só será possível verificar qual o melhor medicamento testando-o, e por isso é muito importante fazer um histórico das reações no paciente. Além da dor, é importante que impere a qualidade de vida.

2) Ao cuidar de um doente terminar, esteja sempre atento aos seguintes sintomas:

 

  • Náuseas e vômitos – São sintomas comuns quando se toma medicamentos em demasia ou mais potentes. Desta forma, faço o paciente ingerir líquidos apenas uma hora antes ou depois da refeição para não se sentir muito cheio. Na hora da alimentação, o processo deve ser mais devagar e cuidadoso para que não haja este tipo de reação. Seguir o cardápio recomendado pelo médico também é importante. Deixe o paciente descansar após as refeições para facilitar a digestão. Não force o paciente a comer. Se a náusea for insuportável, alimentos frios podem ser a solução – como gelatina e outras sobremesas, sopas frias, etc.

 

  • Fraqueza – A energia que falta nestas condições vem com a ingestão de proteínas e carboidratos. Consulte um médico sobre a possibilidade de aumentar a ingestão diária de calorias e proteínas. Há muitas opções para aumentar as calorias em receitas saudáveis.

 

  • Diarreia – Outro sintoma recorrente em doentes terminais. Uma solução é fazer diversas refeições ao dia, mesmo que diminutas. Evite alimentos gordurosos, muito industrializados, fritos, laticínios e outros que possam ocasionar este sintoma. Hidrate sempre o paciente.

 

  • Aparência física – Manter uma boa aparência física é muito importante para pessoas nesta fase. Muitos tratamentos resultam na queda total ou parcial de cabelo, perda ou aumento excessivos de peso, olheiras aprofundadas e a alteração na textura e pigmentação da pele, entre outras consequências. Estas mudanças podem chocar não apenas o paciente como aqueles que o cercam. Melhorar o vestuário e os acessórios, fazer tratamentos leves de beleza ou práticas relaxantes podem melhorar o modo como veem a si mesmos.

 

  • Prisão de ventre – As cólicas e prisão de ventre podem ser constantes. Basta inserir alimentos ricos em fibras (cereais, arroz e massas integrais, fruta e vegetais frescos, etc.), que a tendência é o quadro melhorar. Faça o paciente ingerir muitos líquidos ao longo do dia e fazer algum tipo de exercício regular.

 

  • Falta de apetite e dificuldades para mastigar – Consulte o médico ou um nutricionista sobre os tipos de alimentos que promovem o apetite. No caso da dificuldade de mastigar, processar os alimentos pode facilitar muito a ingestão.

Apoio psicológico ao doente

3) A dor emocional e a solidão profunda são muito comuns click here entre os doentes terminais. Em muitos casos, o paciente desenvolve depressão e se isola dos seus familiares. Muitas vezes, ter o acompanhamento de um psicólogo ou psiquiatra pode ser muito importante.

4) Mantenha-se sempre à disposição quando o paciente quiser conversar. É importante manter a escuta atenta. Este é uma fase de emoções negativas, como a tristeza, a ansiedade, a revolta e o medo. Apoie: não critique, não tente fazer com que a pessoa mude e aceite o que está sendo dito com amorosidade.

5) Nunca finja que está tudo bem. Ajude o seu paciente a aceitar que está doente e acolher a sua situação como for possível. É muito positivo se, mesmo consciente da doença, o doente quiser viver da forma mais normal possível. Muitos familiares tentam isolar o doente terminal de tudo e de todos na intenção de poupá-lo, mas a decisão deve ser sempre do paciente. Outro problema muito comum é o cuidador, quando for da família, se desesperar e se tornar mais vítima que o próprio doente terminal. Se você não tem capacidade emocional para assumir cuidar de um paciente neste estado, não piore a situação. Nesta hora, o doente precisa de pessoas cuidadosas, calmas e que ofereçam paz constantemente.

6) Deixe-o se expressar. É normal que haja medo, ansiedade, angústia, tristeza, raiva, sentimento de abandono e impotência, etc. Tudo isso é normal nesta situação. Apenas o apoie e mostre que, apesar de tudo, ele não está sozinho. Abrace-o, se for preciso, dê-lhe a sua mão, ouça – o contato físico, assim como atitudes positivas como passear, ver um filme ou fazer coisas juntos, bem como relembrar coisas engraçadas e bonitas tem um efeito muito renovador em pacientes de doença terminal.

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Aceitação, permissão e amorosidade mesmo com a doença

 

7) Manter-se socialmente ativo pode ser benéfico, ainda mais quando o paciente escolhe continuar com suas atividades cotidianas – isso não significa fuga da realidade, mas sim, uma conexão com aquilo que ele sempre foi. Como cuidador, apenas apoie naquilo que for possível, seja ajudando na cozinha, nas compras ou na hora de tomar banho, por exemplo. Deixe que o paciente conte com a sua ajuda e seja firme. Deixe que o paciente tome decisões sobre as suas coisas e a sua vida. Muitas pessoas se sentem necessitadas em deixar as finanças em dia ou fazer as pazes com quem não falava faz tempo, Permita que o doente concretize seus desejos e vontades. Isso pode lhe trazer paz de espírito e novos significados.

8) Motive que o doente tenha tempo de qualidade. Os pequenos prazeres podem ser um bálsamo às pessoas nesta situação e o cuidador pode promover mais qualidade e bem-estar. Reviver relações, estar com a família, brincar com seu animal de estimação, reencontrar amigos, viajar, ouvir a sua música preferida, não fazer nada – são tantas coisas que parecem pequenas mas preenchem este enorme vazio, que ficaria difícil em uma só matéria falar sobre isso. Converse com o doente sobre quais coisas fabulosas poderiam fazer juntos.

 

Amparo espiritual

 

9) É comum que as questões espirituais surjam na mente do paciente. Ele poderá fazer um balanço da sua existência e até mesmo questionar certos eventos. Qual o significado disso tudo? O que virá depois? Muitas pessoas seguem uma religião específica, uma filosofia de vida ou mesmo têm uma espiritualidade independente de dogmas religiosos. Neste caso, talvez o paciente queira um apoio de ordem espiritual. Pastores, monges, padres, conselheiros e outros elementos podem ser requisitados – permita este contato. Antes de morrer, o paciente pode ter diversas descobertas e revelações gratificantes e significativas. Permita esta experiência sem intervir ou opinar. Deixe-o desabafar e procurar as suas próprias respostas.

 

“O maior mistério na vida não é a vida em si, mas a morte. A morte é a culminação da vida, o florescimento extremo da vida. Na morte, a vida inteira é resumida, na morte você chega. A vida é uma peregrinação em direção à morte. Desde o início, a morte está vindo. Desde o momento do nascimento a morte começou a vir em sua direção, você começou a se mover em direção à morte.

E a maior calamidade que aconteceu à mente humana é que ela está contra a morte. Ser contra a morte significa que você perderá o mistério maior. E ser contra a morte também significa que você perderá a própria vida – porque elas estão profundamente envolvidas uma na outra; elas não são dois. A vida é crescimento, a morte é o seu florescimento. A jornada e a meta não estão separadas; a jornada termina na meta.” (Osho, The Revolution)

 

10) E no momento em que ocorrer o último suspiro, se isso for possível, esteja presente – sem desespero, sem sofrimento, sem comoção. Apenas amor, afeto, atenção, acolhimento e permissão. Mostre ao paciente que ele não está sozinho nesta ocasião e ajude a encarar o que está por vir com dignidade e amorosidade, seja o que for.

 

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